Estação Primeira de Nós Dois: DEZ



Parece muito louco que você compartilhe dez (dez!) anos da sua vida ao lado de uma pessoa. E é mesmo. Fiz essa tirinha ontem na aula, porque sempre que o pensamento que estamos juntos há uma década (DEZ ANOS) me bate, eu não consigo deixar de ficar surpresa. Dez anos. Sorrindo um pro outro. Deitados na cama, conversando sobre o dia. Rindo. Gargalhando. Pensando "e se esse filme fosse protagonizado pelo Rob Schneider?". Tendo dúvidas existenciais sobre o almoço e o jantar.

Dez anos de nós. Dá pra acreditar?

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O blog está às moscas, não tenho nenhuma desculpa para dar. Mas se servir de consolo (não serve), tentei fazer uma newsletter, consegui mandar um total de três exemplares, e pode ser que eu apareça por lá esses dias. Eu sei que te motivei bastante, mas assina?

Dois mil e dezeseja

Ou outro trocadilho horroroso da vez

(só eu acho um pavor essa história de trocadilho meio poema? Tipo dois mil e doce, Ser-tembro, Ferve-reiro, dois mil e ter-se, (a)mar o mar, etc?)

2016 começou como uma força da natureza, atropelando tudo que vinha pela frente, eu incluso. Pelo menos me senti assim nessa primeira semana, como quem pega o bonde andando. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário: começar o ano com esse pique, uma energia diferente que eu nem sabia que existia, uma subida super alta em super pouco tempo.

Barra-Nova é assim sempre ok beijos
Não costumo fazer textos de retrospectiva aqui (nem em qualquer outro lugar), mas costumava escrever no meu diário (por que todo mundo só chama de journal?) sempre no primeiro dia do ano. Agenda nova, tudo limpinho, e aquela primeira página esperando para você encher de sonhos e vontades. Minha agenda desse ano é da koreia e ela já começou em dezembro do ano passado, que é um pouco o que eu sinto que foi 2016 também.

Depois de um 2015 muito difícil, com um montão de percalços, um sem-fim de saudades, o fim do ano tranquilo era um sossego no meu coração ansioso. 15 dias de praia e tranquilidade no fim de 2015, e mais 15 dias no início de 2016. Mas a vida deu um twist e terminou a temporada antes com um cliffhanger, e do nada, dezembro já parecia um novo começo, e janeiro parece que tem meses. Embora a temporada na praia tenha sido drasticamente reduzida, acho que ela serviu para algumas coisas, especialmente para olhar para si. Percebi que, embora realmente não me identifique com Fortaleza e me sinta um estranho no ninho onde nasci, que meu apartamento e a casa de praia continuam inabaláveis. Entendo a vontade do meu irmão de chegar no aeroporto e pegar o carro direto para a Barra-Nova: não existe um sentimento de raiz tão forte como naquela praia. Sim, sinto falta de casa. Mas minha casa, definitivamente, não é Fortaleza.

Minha mãe, muito sábia, falou que 2015 havia sido bem difícil, mas que alguns anos são assim: anos de plantio. A gente vai fazendo tudo no escuro, sem saber no que vai dar, lotado de insegurança e aflição, semeando o que a gente nem sabe. Aí, numa virada de ano, vem o ano da colheita. Não sei se em 2016 irei continuar plantando ou se já começarei a colher, mas, de qualquer forma, estarei aqui.

E para não dizer que 2015 foi só o terror, eu:

1. Casei
2. Fui morar com meu melhor amigo
3. Mostrei a cidade onde eu vivi para as minhas melhores amigas
4. Percebi que o Rio é minha casa
5. Dancei até de manhã
6. Realizei meu sonho e assisti ao show da minha adolescência
7. Abracei a adolescência tardia e pintei o cabelo de rosa
8. Superei (parte das) minhas inseguranças, e abri meu negócio de convites personalizados

E que em 2016 eu quero:

1. Acreditar mais no meu trabalho
2. Colocar para frente meus projetos de quadrinhos e zines
3. Desenhar mais
4. Ser feliz!
5. Dindi

Acho que tá bom, né?





Assisti "Star Wars: o Despertar da Força", e preciso vir aqui contar

(Sem spoilers, e com muitos gifs do Han Solo, porque sim)



Eu sou fã de Star Wars. Não cresci assistindo, e o primeiro que vi foi em 2002, em umas férias aqui no Rio, onde fui apresentada ao Episódio II, e passei o restante do mês de trancinha padawan. Na época, eu gostei do filme, mas nem me preocupei em saber mais sobre, e nem assisti a continuação. Foi depois de muitos anos que MB e eu decidimos assistir a saga completa: e então, já grande, fui fisgada e apaixonada por essa galáxia far-far away.

Parte disso se deve à minha predisposição a amar sagas de ficção, e embora a única história com naves que eu tivesse visto até então fosse Cowboy Bebop (e amado!), o enredo me cativou. Amei intensamente todos os personagens da primeira trilogia. Mas a outra grande parte de eu ter continuado assistindo e amando se deve, obviamente, ao Han Solo. (abri esse link ontem e até agora não consigo parar de ver)

You've got that face that just says "baby, I was made to break your heart"

Então, sim, fui apresentada à saga pelo meu namorado, mas o meu hábito obsessivo de me entregar a todas as séries que amo (ler tudo sobre, pesquisar teorias, fazer quizzes, comprar 15 camisetas) fez com que eu, sozinha, consolidasse o amor. Eu amo Star Wars. Eu me arrepio e choro ouvindo a música, virei fãnzona mesmo, dei aquela choradinha marota quando soube que iria ter continuação (com o Han! Velho!) e decidi até ir de cosplay para a estreia. Não fui, mas pelo menos fui com o cabelinho da Leia.

Mas o que me deixava mais excitada era a incrível perspectiva de ver algo novo: Harry Potter tem os livros, assim como Game of Thrones. Dessa vez, absolutamente ninguém sabia o que aconteceria, e tudo que começasse a partir da saudosa tela com as letrinhas se afastando era novo. Toda vida que pensava nisso me arrepiava, e quando a música começou a tocar, já estava chorando, hahah.

Já havia gostado, desde o princípio, dos protagonistas serem um negro e uma mulher – embora ache que a Leia já tenha feito muito bem o papel de princesa que não precisa ser salva, esse é o tipo de coisa que é sempre bom ser reforçado. A diferença agora é que a Rey é o centro da história, mais uma garota-que-não-precisa-ser-salva, mas ao contrário da Leia, uma menina que não tem ideia do que fazer, mas que tem uma índole boa, e procura fazer o que acha certo (estamos todas juntas, miga). Aqui tem um texto ótimo falando mais sobre ela. A química entre a Rey e o Finn é maravilhosa, o personagem do Finn é engraçado na medida, e enfim, já shippo horrores.

Aliás, toda a atuação é maravilhosa: Adam Driver como Kylo Ren está incrível. Ouvi vários comentários sobre como ele parece um bobão sem capacete, mas achei tudo isso intriga. Ele tem um je ne sais quoi que combina super bem com as aflições do personagem, uma profundidade que acho que cabe perfeitamente nele. Se fosse um cara simplesmente gato, acho que a reação de todo mundo seria bem diferente.

Os droids estão incríveis como sempre, e já entrei no cinema amando BB-8, pois BEEBEE. Assim como o R2 era maravilhoso, beebee é cheio de personalidade, e fez o cinema inteiro gargalhar e dizer "ooownn" sempre que ele estava magoado.

Informo à todos que Han Solo continua fazendo meu útero urrar.


Mas, o filme. Ele tem todos os elementos para deixar os fãs felizes, e para cativar quem está indo assistir a série pela primeira vez. Acho válido e maravilhoso um filme ter várias referências (12 parsecs, nunca confundam) e detalhes que pertenciam aos originais - mas não quando o roteiro se apoia completamente nos filmes antigos. Me diverti horrores? Sim. Chorei? As duas vezes que assisti. Queria ver de novo? Lógico. Mas não fiquei com a sensação de estar vendo algo novo e inédito, e sim uma releitura da série que tanto amo. Vi uma crítica que falava que o filme era como assistir a um show dos Rolling Stones: maravilhoso, eles cantam os grandes hits que você pagou para ouvir, e inesquecível, claro. Só que fui ao cinema esperando um cd novo dos Stones, e não um Greatest Hits.

Acho que o filme deixou tudo bem construído para uma sequencia maravilhosa, e estou tendo úlceras ao pensar que só vou descobrir o que vai acontecer em 2017. Espero que seja inédito, espero que seja maravilhoso, e espero ganhar todos os funkos que lançarem. E espero que Harrison Ford continue sendo esse presente de Deus.

That's not a skirt girl smile
That's a sawn off shotgun
And I can only hope
You've got it aimed at me
PS.: Se quiserem discutir o filme comigo, com spoilers, podem me chamar!


Rapidão

Queria vir aqui e falar uma coisa rapidinho.



Dia desses, eu estava saindo do metrô, quando tropecei e caí. Mas não caí pouco não, caí muito, caí mesmo, dei uma leve voada antes de cair, o óculos foi para um lado, a bolsa para o outro, e passei aqueles longos segundos eternos no chão antes de umas 5 pessoas pararem para me erguer. Me sentaram no chão. Achei que tinha quebrado o braço e rasgado a minha única calça jeans inteira no joelho - felizmente, nem um, nem outro. Mas enquanto estava parada ali, chorando de dor no braço, e pensando na vida, vi uma perspectiva incrível. Caí no chão, lasquei meu joelho, esmaguei meu braço, ralei minha mão. Mas pelo menos não torci o pé, e já me senti muito melhor por causa disso.

A vida, né? A gente aprende a ver o lado bom das coisas.

Contei para as pessoas, e todo mundo deu risada, porque não se costuma cair com facilidade depois de adulto. Esse ano caí no box, escorregão pesado, daqueles das pernas ficarem no ar, e você cair de costas em câmera lenta e achar, com certeza, que você morreu. E esse dia aí na rua, no metrô de Botafogo. A minha pressão não baixou e não tinha um buraco enorme: eu simplesmente estava andando, e no segundo seguinte, não estava mais. Não tem explicação.

Mas sempre que caio (o que acontece com alarmante frequência), passo uns meses andando olhando obsessivamente para o chão, com o intuito de não cair novamente. Sempre ando olhando para o chão, mas depois de pequenos desastres, não consigo olhar para outro lugar além dos meus pés e onde eles estão pisando. E eis que, desde o dia que caí para cá, já encontrei 110 reais perdidos no chão. Um dia 100, no outro 10. Bolos de dinheiro no chão, onde os que nunca caem nunca se preocupam em olhar.

E então? Se isso não é uma grande metáfora da vida, eu não sei o que é.


Favoritos de Outubro

Tentei fazer esse post dia 31, mas falhei, falhei e falhei miseravelmente. Entretanto, dia 9 de novembro estamos aqui. Vou tentar, juro, ser concisa: vi esse tipo de postagem no blog da Frannerd, e amei. Sempre adoro ler resumos da vida das pessoas, e acho que é uma ótima oportunidade de fazer um desenho pelo menos uma vez por mês, então vou tentar.



1. The Dream Thieves - Maggie Stiefvater
Terminei de ler o segundo livro do Raven Cycle, e estou literalmente poupando. Esse ano está uma grande bosta para leituras, não consegui ler nada de janeiro a junho, e não melhorou muito depois que o casamento passou: mas estou chorando amando sofrendo por Raven Cycle, sentindo todas as emoções maravilhosas de ler uma saga do zero, e por aí vai. 

2. Brownie de microondas na cumbuca favorita
Usei essa receita aqui, e ficou bom demais (só troquei a margarina por 2 colheres de manteiga). Melhor colocar menos tempo e ir olhando, porque quanto mais molhadinho, melhor.

3. Penny Dreadful
Vi a Deborah falando dessa série no facebook, e depois de muita frustração, resolvemos assistir um episódio e dar uma chance. Terminamos a primeira temporada e eu estou gostando?!?! A atuação é maravilhosa, o enredo tem suspense no ponto, e sou eternamente fascinada pela estética da era vitoriana. Fora que o Josh Hartnett ficou um cara lindo com olhos de filhote, e o Sir Malcolm é um velho que dá um senhor caldo.

4. Exposição do Castelo Ra Tim Bum
Fizemos um date num dia de semana para ir ver a exposição, e foi uma experiência super incrível! Adorei principalmente o trabalho de figurino, a construção dos personagens... Amei.

5. Flatform da Melissa e Rosadili da Quem Disse Berenice
Comprei essa Melissa num impulso (depois de meses namorando, mas num impulso), e estou tentando me convencer que ela não é horrorosa. Usei para sair e me senti muito Garota Das Moda, mas ao mesmo tempo estava me sentindo uma fraude, hahah. E o batom líquido da Berê é maravilhoso, recomendo.

6. Show de Bossa Nova no Arpoador
Uma das centenas de comemorações do Rio 450 foi um show de Bossa Nova de graça no parque, e fiquei emocionada de ver ao vivo os Cariocas e o Quarteto em Cy, e uma orquestra! Foi uma noite ótima, a Baby do Brasil também se apresentou (completamente doida), e ainda fiz amizade com um cachorro.

7. Cerveja Goose Island - Honkers Ale + pão com pasta
Estamos ficando experts em cerveja (hahah), e depois de um chopp desastroso de IPA, eu decidi que não iria beber nenhuma cerveja que o IBU (índice de amargor) fosse alto. Entretanto, essa tinha o rótulo muito lindo (#prioridades), e acabamos comprando para provar: ela é super equilibrada, instigante, frutada, e o amargor compensa! Ou seja, o problema não é o IBU, e sim a combinação que fazem. E o rótulo é maravilhoso, né, pfvr.

Aqui no Rio chamam patê de pasta (na cidade de vocês também?), e esse jantar tem sido a nossa escolha favorita, porque é barato e gostoso. As pastas da Le Dépanneur, em Botafogo, são todas maravilhosas, especialmente a de gorgonzola e o Húmus.

Por menos "pfvr pfts"

Esses dias saiu a ~ bomba ~ da menina blogueira super bem sucedida que decidiu largar toda essa vida fake, e que nossas redes sociais são vazias. Essa discussão teve muitos e muitos desdobramentos, sobre como pregamos uma vida que na verdade não é a nossa, sobre como vivemos na era da edição. No dia que essa matéria estourou, eu e minhas amigas debatemos longamente sobre isso, falando especialmente das meninas novinhas que podem vir a acreditar que a vida é isso mesmo.

No texto da Anna, que foi um dos meus favoritos (claro), ela fala sobre a proximidade das blogueiras com a nossa vida. Crescemos tendo ícones atrizes de hollywood e do Disney Channel, e que por mais que fossemos ingênuas, sabíamos que por trás daquelas mulheres tinham uma equipe. As blogueiras, de uns tempos para cá, também: mas o que incomodou sempre é esse ar de naturalidade, esse meio "I woke up like this", quando elas também não saem de casa sem uma equipe de maquiadores por trás. Mas aí chegam não só as blogueiras, mas os nossos amigos do facebook e do instagram: basta uma olhada rápida para encontrar aquele conhecido seu da faculdade que está morando fora, aquela menina que está viajando o mundo, e outra que casou recentemente numa festa maravilhosa.

Mas vamos voltar um pouco:

No começo do ano, quando eu estava muito mal por não ter arranjado emprego ainda (não é que eu tenha arranjado, mas passei a viver melhor com isso), meu irmão compartilhou um texto comigo, na sua forma de dizer calma, pequena padawan, estamos todos juntos nessa. Meu irmão é adulto, casado, empregado, com filho, e disse que também se sentia assim regularmente.

Crescemos acreditando que somos especiais, que merecemos o mundo, e que é só uma questão de tempo até que todo o nosso talento seja descoberto, e finalmente tenhamos um emprego maravilhoso em que vamos trabalhar pouco e ganhar muito, e assim ser felizes o resto das nossas vidas. Claro que isso é uma visão simplória da vida real, e que mais cedo ou mais tarde (mais cedo, por favor) iremos perceber que isso tudo é uma cilada. Só que é nessas horas que entram as redes sociais: você olha para a vida dos seus amigos e acredita, de verdade, que eles estão no topo do mundo, e que você, coitado de você, é um bosta. Todos fazemos isso, e é o eterno olhar para a grama do vizinho.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível a todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expõem mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Na conversa com as minhas amigas, comentamos sobre o fato de, obviamente, só postarmos as fotos de quanto estamos juntas e nos divertindo: viajamos o Brasil, fomos para baladas, nos abraçamos, casamos, rolamos na praia, brindamos com caipirinhas. As pessoas olham essas fotos seguidas de encontrões, e ficam na sensação que somos profundamente felizes: ok, nesses momentos somos mesmo, mas as parcelas de passagem no cartão de crédito cagando o nosso limite, o esporro que você levou do seu chefe por ter imprensado um feriado, a dor da despedida, os choros inconsoláveis nos aviões... Nada disso a gente mostra, claro. Porque editamos as nossas vidas e mostramos apenas o que nos convém, e ao mesmo tempo, esquecemos de pensar que acontece a mesma exata coisa com os outros.

Me preocupa essa grande influencia que as blogueiras tem, porque olha só, eu que nem sou blogueira, recebo comentários de meninas acreditando (mesmo) que minha vida é perfeita.

Vez ou outra eu recebo um comentário dizendo que, depois que a pessoa conheceu eu e Marcelo Bernardo, passou a acreditar mais no amor. Não foi uma, ou duas vezes. Foram várias mesmo.



Mas não somos perfeitos, e nenhum casal é. Nunca demos a entender que somos. As brigas de verdade, os defeitos, tudo isso fica dentro da nossa intimidade, aparentando apenas o que escolhemos mostrar. Anos atrás, resolvemos fazer um projeto em que iríamos expor o nosso cotidiano em primeiros encontros. Tivemos uma briga por causa de uma pizza, sim, mas tivemos outros momentos em que decidimos não mostrar por lá. E não falo apenas dos momentos ruins: não vou ficar citando em blogs os momentos que transamos, por exemplo. Eu só falo do que quero falar. E ele também.

Falei no projeto sobre a diferença do Professor Marcelo Bernardo e do cara com quem eu me casei: eles não são a mesma pessoa. A Gabriela que tem blog não vai admitir que é bagunceira crônica (só em casa, no trabalho já ganhei estrelinha por organização - esse comentário foi só para a minha mãe, que trabalha com RH, não me ligar agora mandando eu tirar), e o Marcelo professor não vai admitir outras diversas coisas. E o mais importante: não vamos compartilhar alguns momentos felizes também, porque eles são só nossos.

No texto da Debbie, do Pequenos Monstros, ela fala sobre ninguém registrar os momentos do cotidiano, e que provavelmente não terão fotos suas pequena fazendo o dever de casa. E eu, cada vez mais, aprendi a apreciar esses momentos do cotidiano, desse começo de vida de casado, em que a vida nunca foi tão terrível, mas tão maravilhosa. Fazer almoço junto, batalhar grana junto, segurar as barras juntos: e não, nunca, ser perfeitos.

Marcelo falou em seus votos (que não, não vou compartilhar aqui) que amar não era acreditar que a pessoa era perfeita. E sim, conhecer todos os defeitos, e mesmo assim decidir que quer ficar com essa pessoa o resto da vida.

Tivemos que abrir mão de muitas, muitas, muuuuitas coisas por termos nos conhecido tão novos e continuado juntos desde então; tivemos que abrir mão de muitas coisas para morar no Rio, e passamos por muitos momentos terríveis. Os momentos maravilhosos, claro, fazem toda a diferença na balança da vida. E se não colocamos fotos juntos no Instagram nos últimos dias, pode ser sim que tenhamos brigado, mas também pode ser que a gente esteja ocupado assistindo Netflix por uma semana seguida, e não faria o menor sentido tirar foto disso.

Fico feliz das pessoas acreditarem mais um pouco no amor por ver a gente junto, apesar de todos os pesares. Não vou me unir ao coro que passou a demonizar as redes sociais, e nem vou rir de quem realmente acredita que aquilo é uma cópia fiel da realidade. Mas gosto de pensar que todos nós podemos sim refletir sobre como estamos nos expondo: meu instagram é aberto para quem quiser ver o que eu quis mostrar. Pode ser que seja o que eu ando fazendo. Mas, ultimamente, os melhores momentos eu tenho guardado só para mim, mesmo.

Porque na real, foto nenhuma ou vídeo nenhum consegue capturar o que você sentiu quando estava fazendo uma escultura de buquê de bunda na praia, ou dançando na cozinha enquanto a água do macarrão fervia, ou quando você soltou aquela piada espontânea que te fez gargalhar com o seu marido por longos momentos. Que tal a gente se ater a isso e continuar vivendo? Deixa as blogueiras fazendo jabá, se elas quiserem.

E é sempre bom lembrar: está todo mundo mal.

Tiramos a foto posada, fazendo cara bonita, mas aí do nada começamos a rir de verdade.
Tirei umas 7 fotos para escolher uma.
O celular dele caiu no chão e quebrou uma semana depois, e tivemos que comprar um barato parcelado porque não temos grana.
Tava faltando pão esse dia, ficamos angustiados tentando pensar no que jantar.
Voltamos a comer miojo porque é muito barato.
Esqueci de descongelar o frango.

Séries, sejem menas: duas resenhas e um apelo

Esse ano foi fraco para leitura, mas depois de ter tanto tempo livre assim nas suas mãos, eu e MB começamos a acompanhar algumas várias séries. O meu gênero favorito de série é, provavelmente, séries criminais, ou com algum elemento fantástico. Não tenho paciência para drama. Mas cara, como tá difícil assistir e gostar de alguma coisa. Resolvi escrever sobre duas séries que vi esses dias para tirar as teias de aranha daqui do blog, então vamos lá.

Hannibal

Comecei a ver Hannibal com a promessa de que seria ~ a melhor série atual ~, que era inteligentíssima, e que ia estourar os meus miolos de tão incrível. Mas não. Hannibal foi uma série que vi inteira com MB e que amamos odiar: assistimos episódio após episódio com face palms, ataques de raiva, e inúmeras discussões.



Pontos positivos:
A fotografia é realmente linda, a trilha sonora completa o ambiente. A série é muito bem construída esteticamente, cheia de metáforas e representações. Vemos o Hannibal como um demônio (igual à Besta de Over the Garden Wall), visões que representam o medo, e a real faceta dos personagens. A atuação também é muito boa. A série também cria uma rede de acontecimentos que te faz profundamente curioso para saber o que aconteceu. Fora que os crimes são cabeludíssimos e super bem elaborados (assisto séries de crimes há séculos e nunca vi nada disso na vida), pena que a equipe é burra.

Gostei do arco do Dragão Vermelho, e acho absolutamente cliffhanger a forma como acabou a última temporada. Vou assistir a próxima? Possivelmente.

Outra coisa que a série ganha é por fugir da história original, focada apenas em homens héteros brancos. Jack, o grande guru do FBI, é negro. O gênero de alguns personagens é trocado, como o da Freddy Lounds, a inclusão de mulheres fortes como a Dra. Psiquiatra do Hannibal e a personagem totalmente desnecessária da Dra. Alana Bloom.

Desenho é de criança? Sei. Olha a cara dessa besta.
Quero ver Will Graham ter empatia com isso.


Pontos negativos:
Vários personagens não tem absolutamente nada para fazer ali, e no entanto, a lá eles ali. Alana Bloom começou como interesse romântico do Will, mas foi se ~ transformando ~. A série usa de elementos estéticos para embasar os personagens, o que podia ser bom, se não fosse completamente implausível. Por exemplo, na hora que a Alana deixou de ser a garotinha boa que só queria ajudar, ela começou a usar batom vermelho, roupa decotada, e a pentear o cabelo fazendo ondas dos anos 40. Gente, menas. Garotinhas boas também usam batom vermelho. Não precisa dessa metáfora de roupas para a gente perceber que ela mudou. O figurino inteiro da Freddy Lounds não faz o menor sentido, ao ponto de me incomodar profundamente, nível Jurassic World - o que esta louca está fazendo de mini saia e blusa transparente no tribunal, ou em casa? Que horas que ela teve tempo de fazer esse penteado no cabelo? Por que a moça oriental do FBI faz o trabalho do CSI, mas está sempre de cabelo solto?

Os personagens não seguem a essência deles, e não é evolução. Os autores simplesmente esquecem das coisas, como, por exemplo, que o Will estava "dentro do espectro" e era autista nos primeiros episódios. Apenas nos primeiros. Depois, olha aí o Will olhando dentro dos olhos de todo mundo. Um dia desses eu li como as séries tentam colocar doenças psicológicas que se auto curam após determinados eventos - talvez a do Will tenha sido no momento em que ele matou o Garet Jacob Hobbs (não foi spoiler porque foi bem no começo?), aí ele pensou: peraí, não sou mais autista? 


Comentei acima que a rede de acontecimentos é bem forte e instigante, mas eles fazem de tudo para que a gente fique ligado, e acabam tentando enfiar coisas goela abaixo. Personagens que não tem absolutamente nada para fazer na cena do crime estão ali, centenas de vezes. O universo peca por ser tão raso. Por exemplo, só existe um psiquiatra na cidade inteira, o Hannibal, centenas de crimes acontecem ao redor dele, e a polícia jamais suspeita. Nunca, em momento algum.

O que leva ao próximo tópico: o FBI retratado em Hannibal é o pior FBI de toda a ficção. Eu não sei vocês, mas eu estou acostumada com equipes do FBI que resolvam crimes, que cheguem para salvar a pátria, e que sabem muito bem o que estão fazendo. O FBI do Hannibal não faz. a. menor. ideia. de. nada. O grande chefe, o Jack Crawford, tido como o guru do FBI, comete erros absurdos, tipo mandar estagiário resolver coisa para ele sem proteção, entrar em cena do crime sem colete à prova de balas, etc. Todos dependem da ~ habilidade mágica da empatia ~ do Will, que, em outras séries e filmes (o Silêncio dos Inocentes, por exemplo) é a coisa mais básica do mundo. Pegar o setor de Análise Comportamental do FBI e tratar como magia é um absurdo: o FBI consegue se colocar no lugar dos criminosos após anos capturando e estudando psicopatas, e depois de anos e anos de pesquisa, eles conseguem perceber que determinadas pessoas se comportam de determinados modos, e provavelmente irão fazer determinada ação. Temos 11 temporadas de Criminal Minds abordando o estudo dos perfis, e uma leva de filmes também. No Hannibal? O Will fecha os olhos, vê uma luzinha mágica, se coloca no lugar dos assassinos, todos ficam assustados com essa habilidade, e ficam com medo que ele vire serial killer porque, duh, só serial killers conseguem se colocar no lugar de serial killers.

E por fim, ao colocar "rede de acontecimentos" ao invés de enredo já diz bastante: o enredo de Hannibal não é sólido, e aliás, na maior parte das vezes não faz o menor sentido ou sequer existe. Sabemos que o Will e o Hannibal são nêmesis e o Will vai capturar o Hannibal, e a série tenta mostrar esse desenrolar. Mas ia ser muito rápido, coisa de uma temporada, então vamos inventar meia dúzia de nadas aqui. Vamos pegar personagem X, que não tem motivo algum para estar ali, e colocar ele fazendo a coisa Y que ele nunca poderia fazer, aí deixa ele doido, manda ele ver o Hannibal, o que é isso, precisamos de um médico na cena do crime? Chama um perito do FBI? Que é isso, gente, chama o Hannibal, ele mora ali vizinho, muito melhor, pfvr, plmdds.

Além do mais, a série é focada na atração sem precedentes que um sente pelo outro. Eles passam, episódio após episódio, se olhando apaixonadamente, procuram um pelo outro, quando um vai preso o outro sofre, quando um foge o outro acha. Mas vai ter beijo gay? Duvido. Mas pelo menos alguma coisa ia passar a fazer sentido se tivesse.

Scream
Depois de ver Hannibal se esforçar tanto e não conseguir entregar algo que fizesse sentido, resolvemos assistir Scream, que desde o princípio já parte da ideia de fazer piada sobre si mesma. Baseada naqueles filmes dos anos 2000 em que as vítimas recebem uma ligação do maníaco e logo em seguida morrem, a série é capaz de entreter e deixar você tentando resolver o crime antes de acabar. Acaba sendo bem óbvio, até para mim, que sou a pessoa a melhor espectadora de todas.

Vamos ser migos e discutir o BTK e o Zodíaco
Mas depois de tanto tentar não se levar a sério (adoro esse tipo de filme, em que tem um assassino à solta te ameaçando e te mandando mensagem o tempo inteiro, e te vigiando do lado de fora da casa, mas tu resolve mesmo assim ir para uma festa HAHAHAH faz todo o sentido), eles tentaram tanto entregar um final surpreendente que ele... não faz lá muito sentido. Não é viável.

Sabe quando você adormece em cima do braço, e ele está tão dormente quando você acorda que ele está pesando uma tonelada? Tenta arrastar um corpo, então. Tenta mudar o local de um corpo, para ele ser encontrado de forma suspeita. Não parece improvável? É porque é mesmo.


Conclusão:
Quer uma série de crime com assassinatos cabeludos, enredo confuso porém certeiro, e a sensação no fundo do estômago que você precisa entender o que está acontecendo? Assista a primeira temporada de True Detective. A segunda não. Da segunda, a única coisa que se salva é o cabelo da Rachel McAdams e aquela moça deprê que cantava música indie no bar derrubado.

Quer uma série bonita, com trilha sonora ótima, terror na medida certa, e que termine de forma bem amarradinha e sem pontas soltas? Assista Over the Garden Wall. Já estamos na época em que todo mundo devia levar desenho animado a sério, porque isso sim foi a melhor coisa que já passou na tv.

Corrão.


25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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