12 de maio de 2013

A Problemática do Peixe

Ilustração de Charley Harper
Eu sou a pessoa mais alérgica que eu conheço. E isso parece pouco, mas eu sou a pessoa mais alérgica que minha alergologista conhece também. E olha que ela atende muita gente. As banais eu sempre tive: poeira e ácaros, passando por mofo. A mínima exposição perto de uma pluma com mofo já faz com que meu nariz inche, meus olhos ardam e minha garganta coce, e, quando em crise, lá vem a asma. Picada de mosquito coça durante uma semana. Passei todos os anos da minha vida convivendo com isso, mas depois de velha, comecei a desenvolver umas alergias ainda mais estranhas. Calor me dá alergia atrás das pernas (?), e olha só, mussarela de búfala me dá falta de ar.

Eu sempre tive esse medo, esse pressentimento me rondando como uma nuvem: a alergia à frutos do mar. Porque, veja bem, eu sou nascida e criada em Fortaleza, na beira da praia, e aqui é mais comum comer camarão do que, por exemplo, carne de porco. E cara, eu amo camarão. Minha mãe faz uma receita simplérrima de camarão com um molho meio rosé que me faz chorar de tão bom. E um dia, fiz um risoto de camarão que faltei chorar. E não tão frequente, mas também uma realidade, as lagostas que meu pai prepara. Tão perfumadas, nada borrachudas, imersas num molho de queijo, com muita salsinha por cima, gratinados no forno. Ah.

Até que um dia eu descobri que tinha virado alérgica a camarão.
Meu mundo caiu.

Desde então, para poupar minha dor, evitamos sempre restaurantes típicos daqui, especializados em frutos do mar, porque eu não gosto de peixe. Aliás, eu gosto, mas de peixes muito específicos, daqueles que não tem gosto forte de peixe. Pode parecer loucura (até porque um peixe não pode ter outro gosto senão de... peixe), mas eu vou explicar: gosto de sentir o gosto do limão, do tempero, do vinho, do grelhado, do assadinho, mas não do gosto forte de mar. E é muito difícil achar um peixe assim, à toa. Muito mesmo. Então é melhor ficar nas massas, nos filés, e nos sushis (porque eu acho que sushi não tem gosto de peixe, tem gosto de sushi) (não me julguem).

Viajei com Marcelo Bernardo na Semana Santa, e fomos para a praia. Chegando na praia, não tive escolhas senão comer... peixe. Porque é absurdamente incoerente pedir carne, ou FRANGO, na beira do mar. Não vendo aqueles pescadores trazendo seus peixes gigantes nas jangadas. Não.

Só que na hora de pedir, meu coração se contorcia de dor ao olhar o cardápio. Pois, lembrando, eu amo, amo muito!, camarão. E sempre me deparava com as seguintes opções:





Tudo bem, esse cardápio é de um restaurante de Fortaleza, numa realidade completamente diferente de um restaurantezinho no litoral, mas dá pra entender. E aí vinha o peixe: peixe grelhado, peixe com alcaparras, peixada. Quando o lugar é muito, muito criativo, rola um peixe a delícia com bananas, ou um peixe com molho de camarão (ou seja).

Não estou brincando, olhem só a seção de peixes do mesmo lugar, que é um restaurante especializado em frutos do mar:



Eu vivo num mundo em que um peixe não pode ver um molho mais elaborado, senão entra em combustão? Em que é impossível empanar, flambar ou gratinar um sirigado? Ou os pescadores também estão cultivando um campo de alcaparras, e só vendem o pacote? Quão difícil pode ser imaginar um molho para um peixe que não seja de camarão, ou então a bom e velho caldo da peixada?

Eu, como uma impossibilitada de comer camarões e suas respectivas receitas cheias de criatividade, sou obrigada a me contentar com um peixinho grelhado com arroz branco. Todos os dias da semana santa, oscilando apenas entre a presença das alcaparras ou não. E muitíssimo chateada ao ver outros pratos que fariam minhas papilas gustativas dispararem, o Ratatuille soltar fogos. Porque não é que um peixe grelhado com alcaparras seja ruim, longe disso (especialmente se ele for bem temperado), mas é que ele seria tão melhor flambado. Empanado com coco. Servido num molho com queijo. Gratinado! Acompanhado de um risoto!

Vamos dar um tempinho pras alcaparras!
É pedir muito?



PS.: Fica aqui minha indignação pelo Murano Grill, que além de ter tirado o meu peito de peru (amor verdadeiro, amor eterno), também tirou o peixe mais criativo que já comi: com molho de frutas da estação e arroz negro! Murano, por que você faz isso comigo?!

8 de maio de 2013

Apreciação ao Paul McCartney em Fortaleza (e setlist)


Eu queria ser Anna Vitória e conseguir descrever as músicas que quero ouvir, ou o sentimento de this is happening, e o melhor, os posts emocionados que ela sempre escreve depois de shows. Eu queria saber contar como estou aguardando esse dia desde que os rumores começaram, do pavor que pareceu tomar conta de mim com a demora para a oficialização do evento (como assim, estamos em Março e o show não foi anunciado? Vai mesmo ter?), do pavor irreal de acabarem os ingressos e eu ficar sem ir ou na pior cadeira, e dos incontáveis pesadelos que tive com mil e um empecilhos que meu inconsciente ansioso cismava em inventar. Sério. O pior de todos foi o sonho que eu não conseguia vestir nenhuma roupa para ir, porque do momento em que eu tirava do cabide ela virava pó nas minhas mãos.

Nesse dia eu fui pro show de short e sutiã.

Mas o fato é que o dia chegou, e o post-it que está grudado do meu computador do trabalho contando os dias finalmente zerou. É amanhã! É amanhã! É amanhã que vou ver meu beatle preferido, esse lindo, essa lenda, esse show que com certeza vai ser um dos melhores da minha vida. E não sei nem dizer que músicas quero que ele toque, sei lá, tanto faz, o que vier é tanto lucro que eu nem sei.

Encontrei a setlist e não sei o que me faz sofrer mais, se são as músicas (trinta.e.oito.músicas), ou se são essas fotos que perdi meu tempo enlouquecendo no Pinterest ao procurar.





Não agüento essa sessão de fotos


Setlist Out There

1. Eight Days a Week
2. Junior's Farm
3. All My Loving
4. Listen to What the Man Said
5. Let Me Roll It
6. Paperback Writer
7. My Valentine
8. Nineteen Hundred and Eighty-Five
9. The Long and Winding Road
10. Maybe I'm Amazed
11. Hope of Deliverance
12. We Can Work it Out
13. Another Day
14. And I Love Her
15. Blackbird
16. Here Today
17. Your Mother Should Know
18. Lady Madonna
19. All Together Now
20. Mrs. Vandebilt
21. Eleanor Rigby
22. Being for the Benefit of Mr. Kite!
23. Something
24. Ob-La-Di, Ob-La-Da
25. Band on the Run
26. Hi, hi, hi
27. Back in the U.S.S.R.
28. Let it Be
29. Live and Let Die
30. Hey Jude

Bis 1 -
31. Day Tripper
32. Lovely Rita
33. Get Back

Bis 2 -
34. Yesterday
35. Helter Skelter
36. Golden Slumbers
37. Carry That Weight
38. The End

Até amanhã, sir Paul.

5 de maio de 2013

A Day in the Life - 4 de Maio de 2013



O dia amanheceu meio nublado para Fortaleza, e eu acordei perto das nove horas. Existe um sentimento incrível em poder desligar o despertador e voltar a dormir: não, hoje eu não vou trabalhar. E quero curtir minha cama. Olhei para a Dindi e ela me olhou de volta, e estava estabelecido o nosso código de programação dos sábados de manhã - o aconchego imediato. Ela veio se espreguiçando dos meus pés até o meu colo, e ficamos brincando, rolando, e aproveitando a falta do que fazer. Alternávamos o chamego com cochilos, e cócegas com mais beijos. Aí, lá para as dez da manhã, criamos coragem para levantar.


Tenho uma festa de 15 anos para ir, foi o que eu pensei, e logo em seguida meus pensamentos de voltando para: tem queijo prato para botar no café. Ok. É tradição praticamente milenar da família Coelho Coutinho, e é sempre seguida de uma confusão meio incrédula, mas quando vencida, é uma iguaria. Café com leite e… queijo dentro. Queijo! O pão vai na chapa com manteiga, e a cada gole do café, o queijo derretido vem, acompanhando com uma mordida do pão quentinho. Meu segundo café da manhã favorito da vida inteira (o primeiro, vocês já sabem). Comentei que se me oferecessem passar a vida tomando café no Hotel Fasano ou no Copacabana Palace eu preferiria meu capuccino de leite ninho e ovomaltine com queijo dentro. É assim: umas três ou quatro colheres de chá de leite ninho, duas de chá de ovomaltine, uma de nescafé e açúcar a gosto. Juro! Fica incrível. E depois de pronto, o queijo dentro. Queria muito dizer aqui que na verdade estou usando leite desnatado, cacau orgânico em pó e adoçante, acompanhado de cottage e pão 7 grãos, mas é tudo gordo mesmo, desculpa, @mutantepsico.

Meu pai falou que trocaria um mindinho por essa regalia, facinho. Cadê as pessoas que negociam esse tipo de coisa? Um mindinho por uma vida inteira tomando café da manhã no Copacabana Palace. Acho justo.

Terminado o café, ficamos papeando, eu, minha mãe e meu pai. Dindi brincou correndo de um lado para o outro. Tomei um banho, me vesti, e eu e minha mãe fomos atrás de material para fazer um espelho pro banheiro da casa de praia, lá na Barra-Nova #familiacraft A idéia é fazer uma moldura de mosaico para o espelho. Depois de procurar por lugares que vendessem cacos de cerâmica, acabamos enrolando o propósito do mosaico e compramos pastilhas mesmo. Tudo comprado, tudo lindo, no calor escaldante de um dia que tinha proposta de ser chuvoso, pegamos Marcelo Bernardo e seguimos para almoçar no João do Bacalhau.

Look Matinal
1. Blusa Zara | 2. Colar eBay | 3. Bolsa eBay | 4. Perfume Daisy by Marc Jacobs
5. Short Jeans DYI | 6. Sandálias Monsenhor Tabosa | 7. Cinto de oncinha C&A


Quem nunca comprou um cupom dos Baratos Coletivos da vida e esqueceu? Era o último dia de gastar o cupom promissor de bolinhos de bacalhau, um prato de bacalhau para três pessoas acompanhados de arroz de brócolis e salada. Não sei se pela coletividade da coisa o prato veio sem graça, mas veio. E a salada era alface com cebola cortada em cima. Então, né?

Dindi daora a vida na Praça

Direto do almoço, pegamos a Dindi em casa e fomos para um projeto chamado Cão na Praça, que estava acontecendo na Praça das Flores perto do Hospital Militar de Fortaleza. Tinha um monte de cachorros fazendo a social, e me encantei com o fato que 1. todos estavam muito educados, cumprimentando uns aos outros, e só vi uns dois cachorros rosnando 2. Dindi é muito educada e sociável e 3. todo mundo acha que ela é um Buldogue Francês.

Continuando com a programação: conversamos com várias pessoas e, o mais importante, pegamos contato de alguns adestradores. Porque essa Dindistruição vai precisar, porque nunca vi coisa mais danada e rebelde. Voltamos cansados e desmaiamos na cama - eu, MB e Dindi - e foi com muito esforço que acordamos no fim da tarde, prontos pra tomar um café.



Tinha tempo que eu estava curiosa para conhecer o Amika Coffehouse, que abriu aqui em Fortaleza tem pouco tempo, em frente ao Sorvete dos Deuses San Paolo. O ambiente é lindo, e eles me ganharam com o design dos produtos, do cardápio… Pena que a bateria do iPhone tinha morrido, e não pude registrar o momento. Pedi um nutelaccino (yes) com um bolo fofo de creme. Que bolo DELICIOSO! Eu amo comer bolo branco com capuccino, acho que eles nasceram um pro outro. Não achei o capuccino muito bom, na verdade, ele me ganhou pela Nutella. Para mim, capuccino não pode ser só um café com leite, tem que ter algo a mais, sabe? Mas o café do Marcelo com espuma de baunilha estava uma delícia!

Voltamos pra casa, enrolamos, enrolamos, e eu fui me arrumar para os 15 anos de uma aluna dele. Tinha feito escova no dia anterior, e seguindo o conselho da dona Julia Petit, cabelo que faz penteado é cabelo sujo. Então aproveitei a escova que tinha domado as minhas madeixas para fazer o ultimate truque de beauté: os cachos sem calor.

É assim:



Se não der pra entender no meu infográfico (hahaha), é só ver no youtube. Depois de algumas horas o cabelo está enroladinho, é só soltar! Passei um pouco de pomada em spray da Paul Mitchell para segurar mais. Me maquiei com toda calma, pensando em como eu teria sido mais feliz se blogs de beleza existissem na minha época de 15 anos, e com o pensamento reconfortante que se eu tiver uma filha, quando ela tiver na época dos 15 anos eu vou saber maquiá-la. Não sei porque penso esse tipo de coisa, mas enfim. Filha do futuro, vou saber te maquiar estilo 2013, não me julgue se a moda for uma coisa meio absurda e as minhas habilidades tenham se tornado ridículas.

Tirei esse vestido que tinha comprado em Buenos Aires mas quase nunca tenho a oportunidade de usar, e tive que encarar a sapatilha por motivos de pé podre. Me frustra não poder usar salto, mas viver numa terra de baixinhos tem suas vantagens, porque embora menos elegante, ainda continuei alta.


A debutante estava linda, de vestido pink e luvinhas, dançando valsa com seu pai, e fazendo um discurso lindo para a sua mãe. 8 anos depois do meu ano dos 15 anos, é engraçado ver como algumas coisas não mudam. A valsa, os dois vestidos, a boate, a excitação de estar ali, de ter uma festa sua! E de todos os seus amigos bem vestidos, os meninos de camisa social. A paquera e a tensão do - será que ele vem? A Ingrid, uma amiga minha, dançou com seu namorado de poucos meses, todo vestido de príncipe. 10 anos depois eles se casaram. Na minha festa, não teve valsa, não teve príncipe (embora tenha tido a tensão de esperar que minha paixonite aparecesse), mas mesmo assim, foi tão boa. É tão bom ter 15 anos. E melhor ainda é ter 23.

Terminei o dia vendo as tias, sempre elas, dançando animadas que tonight's gonna be a good night, enquanto os jovens ficavam observando meio constrangidos. Mas aí, tal como Cinderela, deu meia noite, e o dia 4 de Maio de 2013 não interessa mais aqui. Agora, só ano que vem.

------

Esse post faz parte de um projeto/meme da máfia chamado Um Dia, no qual descrevemos tudo que aconteceu no dia 4 de maio de 2013. As meninas fizeram no ano de 2012 também, mas eu não participei... Veremos como será meu dia em 2014!

1 de maio de 2013

Lançamento InVoga #17 no Complexo Central do Corpo


Ontem foi o lançamento da tão esperada nova edição da revista inVoga, nossa revista super orgulho Made in Ceará. Acompanhei pelo instagram o fechamento da edição, além das fotos lindas divulgadas pela it-blogger (e capa!) Thassia Naves. A expectativa era grande, mas agora que finalmente tenho a revista posso dizer: parabéns, equipe! Trabalho incrível! Mas vamos lá falar do evento? 


Eu e as queridas Dani Holanda e Ana Flávia Sanford (@flavinhaassis)

A festa aconteceu no Complexo Central do Corpo. É pouco dizer que é uma mega academia: muito mais do que isso, é um espaço que engloba também saúde, estética, gastronomia, decoração e moda! E para fazer um projeto desse tamanho dar certo, só pode ter muita coisa boa, não é? Fiquei encantada pelo ambiente, louca para ir a algumas aulas (enquanto estávamos lá, tinha uma turma animadíssima de aeróbica dançando Beyoncé! Já posso querer me matricular?). E com o calor que está fazendo na cidade, tive que ter muito auto controle para dizer não aos churros que estavam rolando na festa - mas pelo menos pude me refrescar tomando um picolé Selecto. Delícia, poucas calorias e gosto de gordice, haha! Win-win situation.


Mas voltando para a revista: pudemos participar de um talkshow com a presença das lindas Lelê Saddi e Mica Rocha, do We Pick, e a Heleninha Bordon. Muito, muito fofas e simpáticas, falaram um pouco sobre o trabalho, sobre viagens e inspirações. As meninas do We Pick também comentaram sobre a parceira com a inVoga, e a Helena sobre a experiência do shooting e entrevista para a revista (entrevista aliás feita pelo meu super amigo e orgulho, Gabriel Sanchez). A Heleninha ainda disse que vai para Paris em breve, mas que, estando lá, prefere usar roupas brasileiras! Fofa demais ela, juro. Pena que a conversa acabou super rápido!

Depois da conversa, corri para dar um abraço e tirar foto com as lindas :)
Dá até um pouco de vergonha de ficar no meio delas, hahahaha.



Lindas demais, afff.
Obs: nunca tinha notado como eu era alta, hahah








28 de abril de 2013

5 Motivos que Me Fazem Chorar de Saudade de Londres

Às vezes eu sinto que viajar é como comprar no eBay: quando você sente o gostinho, fica difícil voltar atrás. Eu sei que essas pessoas existem, mas no fundo no fundo, me recuso a acreditar que tem alguém que poderia viajar mas opta por não fazê-lo, juro. Desde que voltei de Londres, em 2011, constantemente me sinto deprimida com a perspectiva de que estava lá e voltei, e não é só vendo foto ou notícias relacionadas, mas coisas banais e ridículas, do tipo: nossa, choveu, queria estar em Londres. Poxa, olha aquela folha no chão, poderia ser de lá. Enfim. Coisas.

Então resolvi selecionar aqui Cinco Motivos pelos quais eu amo Londres e anseio o dia de voltar para reencontrá-las:

1. Os Parques



Eu sei que parques obviamente não são de exclusividade londrina, mas devo dizer que nenhum me encantou tanto quanto os de lá (parque do Cocó shora). Era um dos meus passatempos preferidos, e se eu me visse sem nada para fazer (o que é praticamente impossível, mas quando se está sozinha às vezes acontece) eu fugia para o parque mais próximo. Para almoçar sentada na grama. Para deitar e tirar um cochilo. Para ler. Para ouvir música. Para ficar só vendo o tempo passar, ou conversando, ou esperando um esquilo dar o ar da graça. Parques são tipo um dos meus programas preferidos, e eu descobri que amo ficar na companhia das plantas e das árvores. No silêncio mesmo, só ouvindo elas balançarem.

Enfim, amo parques, e quero voltar para Londres.


2. O Full English Breakfast

Conversando com um amigo meu, que nasceu e se criou em Londres, descobri que praticamente nenhum londrino toma o full english breakfast normalmente. É algo para ocasiões especiais, ou para quando você sabe que vai ter um dia cheio e não vai dar tempo de comer muita coisa, enfim - no resto dos dias, você se guia com seu chá ou café e o seu pão integral mesmo. Pelo menos foi isso que ele disse. E mesmo assim, não importa onde você vá, em Londres sempre tem cafés oferecendo essa iguaria. E tudo bem, Starbucks é bom, mas nada se compara a tomar café num... café. Com full english breakfast.



É um prato pesado, muito pesado, que consiste em: ovos, bacon, salsichas, feijão, morcela, tomates, cogumelos, feijão, hashbrowns e torradas. Nem todos os lugares oferecem tudo isso, e na verdade, em nenhum que eu fui me ofereceram feijão, por exemplo. E depois de um tempo colocando a salsicha e os tomates pro lado, descobri que poderia fazer o meu english breakfast perfeito: ovos, bacon, cogumelos e hashbrowns. E muito ketchup por cima. E o que são hashbrowns? São tipo bolinhos de batata, algo como batata frita meets purê meets torrada meets nugget. É uma coisa meio indescritível, e eu só soube que era feito de batata quando pesquisei no google depois. Pois é, batata frita com bacon no café da manhã. E cogumelos enormes e gordinhos.

Na verdade, esse era um luxo que me dava somente aos fins de semana, quando podia comer bem devagar e depois me refastelar num parque enquanto fazia a digestão. Até que viajei para a Escócia, numa excursão arranjada daqui de Fortaleza (cheio de senhoras), e fiquei em vários hotéis pelo caminho. Todos eles com essas delícias a vontade. E sendo estudante, não me importava de passar vergonha e comer uma MONTANHA de ovos com bacon e cogumelos, com uma dúzia de hashbrowns entupidas de ketchup. E ainda levava umas torradas enroladas na bolsa, para quando desse fome mais tarde #pobrenaeuropa. E olha que até o momento eu sempre odiei café da manhã, e sempre menosprezei essa refeição idiota que consiste em melões partidos e presuntinhos enrolados. 

Se tem um mundo que eu quero viver, é um mundo em que haja bacon com batata no café.


3. As Feiras

Embora a praia seja um programa básico nos domingos de Fortaleza, tudo o mais é fechado por aqui, e se você não tem avós para visitar, acaba tirando o dia para descansar mesmo. Mas lá em Londres em domingo muitas pessoas estão indo para o Columbia Road Flower Market - um mercado para comprar flores. É um passeio muito, muito divertido, porque todo tipo de gente ~legal~ está indo para lá, com seus bigodes, e voltando pelo metrô com tulipas enroladas em papeis. Além das flores, lindas, também tem inúmeras lojinhas ao redor que vendem coisas vintage, e cupcakes, e muita alegria. Num domingo.












Também tem os mercados da Brick Lane, que vendem antiguidades e artesanato, e também cheio de gente estilosa que parece pronta para aparecer no Sartorialist. E o mercado na Portobello Road, onde você pode comprar roupas lindas e baratas, e ver os músicos se apresentando, e ah, tanta coisa.



Apenas chorando de saudade do Borough Market



Mas o meu mercado favorito é o Borough Market: um mercado de comida e ingredientes. Porque quando estive lá, vivi inúmeras vezes mentalmente uma realidade em que eu ia preparar um prato especial e ia sair da minha casa rumo ao mercado, com minhas ecobags, e escolher os ingredientes preparados por fazendeiros e fazer o jantar mais especial ever. Palavras não podem descrever os cheiros e sabores das coisas que são ofertadas por ali, mas me apaixonei pelos queijos, e pelas ervas, e pelos tomates vermelhíssimos, e também pelas barraquinhas lindas de doces que me ofereciam cupcakes confeitados. E nem me deixe começar a falar dos cogumelos do tamanho de pires.

















E o local para você sentar e comer as delícias do mercado era esse. Debaixo dessa igreja humilde. Chato, né?

4. Os Programas


Vocês sabem que eu amo musicais. Muito. Então quando tive a sorte de ir à Londres, tinha dois programas imperdíveis em mente: assistir ao musical do Rei Leão, e ao Sing-a-Long da Noviça Rebelde. No musical do Rei Leão eu chorei do começo ao fim, solucei, cantei junto com a voz trêmula e saí do teatro à força, porque queria ver aquilo de novo e de novo, e passar o resto da minha vida inteira sentada naquela cadeira vendo aqueles leões cantarem. E estava passando mais tantos tantos outros musicais, que até hoje eu tenho vontade de me bater por não ter assistido sei lá, todos. Tenho vontade de virar aquelas tiazonas estranhas de óculos fundo de garrafa e blusa I (heart) Musicals.

E o pior (melhor) é que uma vez por ano todos os musicais se apresentam no West End Live, na Trafalgar Square, de. gr.a.ça. Tudo bem, obviamente não é o musical inteiro, com todos os seus artifícios, mas é um show de graça para você sentir o gostinho de Londres. Gente.


E além disso, teve o Sing-a-Long. Não tive dúvidas que tinha chegado ao lugar certo quando encontrei o cinema e vi pessoas vestidas de freira logo na entrada. E um cara vestido de banana. Porque a sessão da Noviça Rebelde tem gente normal, e homens, e, pasmem, héteros fantasiados de freiras. Julguei que eles estavam ali só pela diversão, mas eles cantavam todas as músicas, e gritavam THIS IS THE BEST MOVIE EVER com toda a sinceridade ébria. Uma diva drag-queen nos apresenta a coreografia básica e a respostas que devemos dar em determinadas situações (ex: quando a baronesa aparecer, todos façam barulho de cobra. Hissssssss), e então o filme começa, e todos começam a cantar e a dançar. Fiquei rouca de tanto que gritei, e era como estar na estreia do Harry Potter, só que todo mês, com um monte de gente doida cantando e rindo. Conversei com um cara que estava no meu lado com a esposa, e comentei como estava espantada pela quantidade de homens ali cantando suas favorite things. E ele me respondeu:

- É, tem muito cara estranho mesmo aqui em Londres. Mas a gente se diverte.





Não tenho a menor dúvida.


5. ...





Os Cookies do Ben.
I can't even -

...

...



.



26 de abril de 2013

Caça aos Livros


Aff, overdose de mim nesse blog ultimamente! Mas vamos lá que o motivo é nobre: livros. E a tag mais legal que respondi até agora - obrigada Irena, por ter me indicado!

Como a minha estante é muito alta e por cima do meu computador, não tive como gravar virada pra estante, então separei tudo antes e fui mostrando, hahaha. E esse vídeo não tem dinheiro (por favor, assistam o vídeo que eu acho dinheiro!), mas tem um gato miando! É o Gatin. Eu tenho certeza que ele tem casa, mas ele passou um tempão morando em cima do telhado da academia vizinha aqui do meu prédio, e ultimamente tem andado debaixo da minha janela. Mas como eu só vi que ele resolveu dar o ar da graça depois que já tinha terminado de gravar, deixei pra lá.

Bom, eis o vídeo:
Caça aos Livros - feat Gatin (e feat Dindi tentando me atrapalhar diversas vezes, mas sem aparecer)


A tag original foi criada por uma vlogger americana (super fofa, por sinal) e traduzida pela Psycho Books. E eu indico a Deborah e a Lily :))




21 de abril de 2013

DFB - Look do dia: Como Usar Quimono

Continuando com o posts do Dragão Fashion 2013, aqui vai o look que usei na noite de estreia! (uma semana depois, mas tudo bem, não invalida o look, certo?)

Achei que era a oportunidade perfeita de usar meu lindo e amado quimono da Farm, que comprei por um impulso na promoção. Comprei com tanto impulso que não tinha nem ideia de como ia usar o bendito, e ele acabou ficando um tempinho no meu armário esperando uma forma de usar. Tinha um pouco de medo de ficar caricato e com cara de fantasia de gueixa, sabe? Mas acabou que não só consegui usar, como acabei usando dois dias seguidos! Vamos pro look:


Look do Dragão Fashion 2013 - Passe o mouse em cima da imagem!

No Dragão, usei com meu short de jeans encerado da Dona Florinda, minha bolsa vermelha e slipper de taxinhas da AP Acessórios. Acabei prendendo o cabelo por causa do calor que estava fazendo no dia, e pra ficar um pouco mais arrumada, batom vermelho! O Russian Red, da Mac, é o meu favorito de todos os tempos.

Look de cinema - Passe o mouse em cima da imagem!

No dia seguinte fui pro cinema com o Marcelo, e troquei o bralet que vinha de conjuntinho com o quimono por uma camiseta listradinha (adoro mix de estampas). Coloquei meu short amado que customizei de uma calça jeans, uma bolsa grande e colorida (e do eBay!) e uma sapatilha. E esse truque é a cara daqueles programas de Esquadrão da Moda da tv, mas a verdade é que usar o quimono assim, aberto, cria duas linhas verticais que afinam HORRORES.

RESUMO:

Estou oficialmente apaixonada por ele (o quimono), agora!