Retrato das Férias

Eu não estava pulando corda, não estava participando de uma corrida de bicicletas, não estava de salto alto, e não estava dançando. Estava indo calmamente para a Livraria Cultura, num dos primeiros dias de férias, e simplesmente torci o pé. Um mês depois, ainda não faz o menor sentido.

Mudando de assunto:

Aos 17 anos, fiz a minha primeira tatuagem. É um triskle nas costas, e doeu, doeu muito. Saí de lá achando um absurdo tais "verdades", do tipo: ah, você faz a primeira e vai logo pensando na segunda. De jeito nenhum, sob hipótese alguma, eu ia fazer outra tatuagem, para passar por aquela dor lancinante de novo. Mas então, como nessa época eu já me conhecia muito bem, previ: "Na verdade, acho que só vou querer fazer outra tatuagem quando eu estiver esquecido completamente da dor".

Segunda-feira tirei meus últimos 2 sisos, e foi horrível. Prontamente, meu pai me perguntou:
- Prefere arrancar outro dente ou fazer uma tatuagem?

É claro que eu prefiro fazer um dragão chinês cobrindo todas as minhas costas ao invés de arrancar outro dente.


Obs1: caramba, as polaroids podem ser charmosas, mas meu pé "bom" ficou num tom de verde tão horrível. Ele não é assim sempre!
Obs2: a verdade é que eu esqueci mesmo como doeu e estou planejando fazer mais duas (micro) tatuagens, ao invés de um dragão.

Reflexões

Ou "A Supervalorização dos Best-Sellers"

Eu gosto muito de ler, e desde pequena uma das minhas atividades favoritas era ler algum livro (desenhar era a atividade número 1, e escrever a número 3). Me lembro de devorar a coleção vagalume, e já falei disso por aqui, antes de encontrar a verdadeira paixão da minha vida: Harry Potter. Ganhei o primeiro livro com 10 anos e sou uma fã incondicional, acho que foi uma das melhores coisas que me aconteceu, Harry Potter fez parte da minha formação, etc. Me sinto muito abençoada por ter sido escoltada durante toda a minha terrível adolescência pela presença do Harry, tendo alguma meta na minha vida (algo como pôsteres no meu quarto escrito: Faltam 5 meses para o lançamento de Harry Potter e o Cálice de Fogo).

Não vou ser mais uma pessoa a reclamar de Crepúsculo, porque embora eu ache o fenômeno mais ridículo do mundo, eu li os quatro livros e, realmente, tenho que admitir, o Edward Cullen é um cara maravilhoso. Mas acaba aí. A série não tem roteiro, não tem planejamento: as coisas vão acontecendo uma por cima das outras, no livro 1 não havia climax, no 2 não tem enredo. E olha só o nome da série: "A Saga Crepúsculo" (prova clara de que realmente não havia planejamento, nem o nome da série a mulher fazia idéia). Amanhecer tirou a minha paciência, porque outra coisa que eu odeio é uma protagonista burra. Mas não vou me demorar nisso, e olha que eu gostei dos livros, no fim das contas. Edward Cullen, please bite me!

Eu entendo que é um fenômeno jovem, assim como Harry Potter foi, mas não há comparação. Ler o que o Stephen King e a Anne Rice disseram sobre a "Saga" me deu risos. É esquisito pensar que, um dia, literatura leve e para jovens foi o Senhor dos Anéis (que eu também li e gostei, mas não tanto). O Tolkien, entretanto, apesar de ter escrito um livro inteiro no qual as pessoas só andam, criou mundos, raças, línguas. Uma pessoa dessas é um gênio, um imortal, queria eu ter essa habilidade! Assim como "As Crônicas de Nárnia", que eu gostei muuuuuito, o fato de você criar um mundo e planejar um enredo faz com que você tenha muito mérito. E que história! Devorei as Crônicas de Nárnia no começo do ano, tive uma queda pelo Rei Edmundo e o Príncipe Caspian, e achei o livro final terrível de vazio, mas tudo bem, porque o resto do livro compensa.

Mas um dos meus livros favoritos, que infelizmente não teve o mesmo sucesso dos que eu citei, é a coleção das Fronteiras do Universo, do Phillip Pullman. Depois que a Lyra Belacqua surgiu, não haverá nenhuma personagem adolescente tão perspicaz, tão genial... A Lyra é o tipo de pessoa que jamais demoraria meio livro pra descobrir que o seu pretendente é, na verdade, um vampiro. O grande problema é que o Phillip Pullman é um ateu cheio de idéias, coisas que o mundo cristão e Hollywood jamais iriam engolir, e ele acabou se sabotando. Acho que a Bússola de Ouro não teve nem a metade do sucesso que deveria ter tido, porque é uma saga (uma saga de verdade, com guerra de verdade, não um bando de vampiros conversando) maravilhosa. Se você quer ler um bom livro de fantasia e consegue separar a sua religião da ficção, eu recomendo muito. Se não, vale ler os outros livros dele, que são fininhos, mas são muito legais também: os da Sally Lockhart. Outra garota esperta que o Sr. Pullman criou com maestria, e que deveria ter um filme também.

Claro que até agora eu não sei porque estou escrevendo sobre isso, mas como diriam alguns, o blog é meu! E originalmente foi feito para expressar a minha opinião. Se você é fã da "Saga" Crepúsculo, eu sinto muito, de verdade. Eu consigo entender a paixão internacional que o Edward Cullen causa em todas do sexo feminino (até porque fiquei sem fôlego porque ele faltou a escola em Forks bem no comecinho... é sério! Eu realmente gostei do romance entre os dois, até ele parar de fazer sentido), mas não adianta de jeito nenhum absoluto comparar a Stephenie Meyer com os outros escritores.



E, ah, como eu amo Harry Potter!



Edit: só para complementar -

Stephen King:
"Ambas Rowling e Meyer, estão falando diretamente a pessoas jovens… A real diferença é que Jo Rowling é uma fantástica escritora e Stephenie Meyer não consegue escrever nada que preste. Ela não é muito boa. [...] Pessoas são atraídas por histórias, pelo ritmo, e no caso de Stephenie Meyer fica bem claro que ela está escrevendo para toda uma geração de garotas e abrindo algum tipo de clube seguro do amor e sexo nesses livros. É emocionante e agitado e não é particularmente ameaçador porque não é sexual demais."
Anne Rice:

"Eu estou intrigada pela direção que este mito tomou. Eu acredito que o romance vampírico adolescente, Crepúsculo, foi um filme curioso em muitos aspectos, obviamente feito para meninas de 12 anos. Ele apresenta de forma muito presa a figura do vampiro de maneira que não parece fazer muito sentido. Nós temos que acreditar que um grupo de imortais escolheu uma pequena cidade no lugar de uma metrópole, e que eles tem que repetir o ensino médio (High School) para todo sempre, o que certamente soa horrível. Mas obviamente tem apelo para as crianças menores e o vampiro, Edward, é charmoso e forte, e representa de forma poderosa a metáfora do forasteiro e também o sonho de toda adolescente: um namorado que é realmente alguém profundo, carinhoso, poderoso e protetor. De certa forma, também é sobre o desejo das jovens meninas por um homem mais velho."

Monotemático

É, eu sei que está parecendo que eu sou obcecada por quadrinhos, mas enfim. A Kate Beaton simplesmente é genial demais para passar em branco. Em breve uma atualização sobre o meu emocionante mês de férias!

25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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Esse blog está vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque ninguém há de copiar esses textos e ilustrações sem dar o devido crédito.