Para as Minhas Amigas

Ou: Um post Extremamente Longo e Profundamente Pessoal


Meninas,

Quando eu cheguei na faculdade, há quatro anos já, era uma menina velha e assustada, hahaha. Vinha de um ensino médio cheio de amizades que acabaram sendo desfeitas (por distância física, ou apenas a distância inevitável do crescimento), mas que tinham deixado marcas profundas. A mentalidade dos grupinhos ainda não tinha saído de mim, e um semestre numa faculdade particular apenas reforçara a minha ideia de que... eu conseguia pertencer.

Eu lembro do primeiro dia de aula. Lembro de chegar lá na UFC, minha mãe sorrindo com ares de "você vai adorar isso aí", e eu genuínamente nervosa. (provavelmente de blusa branca e calça jeans, minha farda do começo da faculdade) Encontrei com a Nina, trocamos um olhar esquisito, e pronto. Ela tinha aquela cara de quem sentava no fundo da sala e vivia matando aula, vivia indo pras festas. Ou seja: nada a ver comigo. A benção da UFC é justamente essa: ao conhecê-las, vi que praticamente ninguém tinha nada a ver comigo. Éramos todas completamente diferentes uma das outras, eu excessivamente nova, além de tudo.



Lembro de conhecer a Flávia e a Rafaela, logo de cara. A Flávia eu tinha visto no orkut, e pela foto, pensei que ela fosse uma daquelas gatas da praia que vivem bronzeadas e são de bem com a vida - que nem a Veve. A Rafa tava com uma mochila que tinha um botton do Naruto. Eu nunca gostei de Naruto, mas pensei: ok, essa aí é das minhas. Felizmente, não me enganei! Hahah! Também logo descobri que a Flávia não era uma gata da praia, mas que também vinha de uma história de amizades muito parecida com a minha... E que nós éramos muito parecidas. Mas aí que reside toda a diferença, toda a mudança: a Gabriela de 16 anos ficaria num grupinho, olharia torto para as outras. E provavelmente foi isso que eu pensei na época, sem ter a menor ideia que acabaria amando todas vocês.

A Nina, que sentava no fundão, tinha uma cara de drogada, cheia de tatuagens, andava e falava como um moleque. Uma conselheira linda, amiga de milhares de risadas, conversas sobre a vida, sobre tudo. A Lis, que era (é) esmagadoramente linda, com aqueles olhos claros e aquele cabelo gigantesco e liso. Tinha tudo para ser daquelas meninas que senta lá na frente do colégio, e fica jogando a cascata de cabelo para trás, esnobando quem era diferente (eu). Ao invés disso, uma menina que é um doce, engraçada, bobinha, que ria de tudo... E que também ia ser assim, uma daquelas amigas mais lindas.

A Veve sempre tão boa, sempre tão calma, que sempre cortava as nossas sessões de tesouragem com um "ô gente, não é assim". Super talentosa, desde o primeiro momento. A Van (Branca) também, super talentosa, super jeitosa. Paciente e sempre com ânimo para ajudar quem quer que fosse.

A Tati, contando logo no primeiro dia de aula (eu até lembro a blusa que ela tava usando!) como quase não tinha passado no vestibular, porque tinha ido embora com a prova. Falou daquele jeito dela, nervosinha. Imagina se não tivessem anulado aquela questão de física e a Tati não tivesse passado? Ao lado dela, a Van e a Gabi - Glamour. A Van que era tão quieta, e que depois virou um mulherão, cortando o cabelo e deixando ele cada vez mais lindo a cada semestre. Minha mestra em assuntos do Centro da cidade. A Gabi que adorava usar roupas de cores berrantes, e que hoje também é outro mulherão, divertidíssima, chique, mas que ainda usa aquela mesma mochila querida do começo, toda customizada e cheia de glamour.

A Will e a Kat, com toda a sua calma e serenidade. E com toda a sua calma, também não perdiam um evento estudantil. Como podem ser tão quietinhas e queridas? Tinham jeito de ser estudiosas, sentar no meio da sala, serem legais com todo mundo e legais demais com ninguém em específico. A Will tinha um cabelão e só se vestia de bege - lembro da Nina falando que o sonho dela era ver a Wilma trocando de roupa com a Gabi. Isso provavelmente não aconteceu, mas as duas certamente mudaram muito.

A May e a Jade, que, sem dúvida, ainda são as que menos se parecem comigo. A Mayara e seu jeito simples, direto, desbocado. Tudo pra ela pode ser resolvido de imediato, e é quem sempre põe fim a gritaria (com o seu timbre doce, haha), que, como minha vó diz, vai, faz e acontece. A Jade que sempre tem projetos incríveis, que ela vive mudando, como muda de cabelo (se bem que faz tempo que é ruiva), que tem uma inteligência crítica sensacional. As duas sempre pareceram irmãs pra mim. Diz a Mayara que é a Jade que imita ela. OK.

A Paulinha, que eu me sentei junto logo no começo, e ficamos conversando e falando sobre agendas (?). Só quem venceu o maior medo de andar de avião e subiu no palco para dançar com o seu maior ídolo, a Shakira. A Paula, assim como outras meninas, desistiu do curso... Mas acabou voltando. As outras não tinham nada a ver com a gente, digo mesmo. Mas ela, eu sempre soube que ia voltar. E, para ela que ficou, agora que a gente já tá indo embora, desejo muita força.

Nem sempre foi bom, nem sempre foi fácil. Choramos muito, nos estressamos horrores. As entregas de trabalhos eram estafantes, preencher fichas técnicas pra mim sempre foi motivo de choro e raiva. Quem não sabia desenhar também compartilhava da dor de ter que fazer 20 (40, na época do famigerado Jops) croquis. Passamos por eventos, backstages, excursões falidas à fábricas. Mas também teve muitos momentos incríveis. Não falo nem das viagens (que eu nem fui :( ), nem especificamente das festas, mas sim daqueles momentos bestas. Aqueles que a gente não dá o devido valor, mas que eram mais que especiais. Esperar a aula começar do lado de fora da sala, jogando conversa fora. Sair pra comer um salgado com refrigerante no Obesus. Estar no meio da aula e ver alguém comendo bolo de chocolate, e de repente, sair todas (uma por uma) pra comer também. Ouvir as professoras dizendo "nossa, mas vocês ainda andam juntas!", depois de vários semestres. Claro que andamos. E como não haveríamos de andar?

Por mais que sejamos diferentes (e somos...somos diferentes até demais, beirando o improvável), sempre tivemos amor. E por mais que tivéssemos outras amigas fora da faculdade, por mais que não tenhamos contado tudo umas às outras, sabemos que somos fonte de suporte e conforto uma para a outra. E para vocês eu digo obrigada, por tudo. Sem a presença de vocês na minha vida, para me mostrar como é bom abraçar as diferenças (e por terem abraçado as minhas diferenças também), eu não teria amadurecido e... Me tornado quem eu sou hoje. Ainda bem mais nova que vocês, mas bem menos assustada.

Eu não vou mais voltar ao Pici para assistir aulas... Nem nunca mais vamos nos ver daquele mesmo jeito despreocupado no intervalo das aulas. Mas continuarei sempre aqui, para vocês!

Meninas, vocês têm o meu amor!
Beijos,

Gabi. A Couth, é claro.


Nem todas... Mas lindas!


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E para você, que não é nenhuma das minhas amigas e leu até aqui (uau), e por acaso vai entrar na faculdade, também perca todos os preconceitos. Sorria. Saio da faculdade com um bom conhecimento profissional, mas principalmente com a felicidade de saber que conheci pessoas maravilhosas... E que vou carregá-las comigo o resto da minha vida.

A última carta que eu escrevi desse gênero foi em 2006. Eu estava realmente inconformada com as mudanças, e sobretudo inconformada com a (falta de) capacidade de algumas pessoas que me rodeavam aceitá-las. Hoje, depois de tanto tempo, posso ver as coisas com muito mais clareza. É claro que eu errei, e tinha razão em dizer que sentia muito... Eu sinto muito. Mas, como num relacionamento, às vezes o amor acaba. O sofrimento passa. Tudo sempre passa... O sentimento que fica, claro, é lindo. Tenho as memórias mais lindas de uma adolescência cheia de amor e amizade, adormecida agora, mas para sempre viva dentro de mim. Nunca vou esquecer disso :)

PS: Estou notadamente sentimental. É o fim de mais um ciclo da vida, gente. Relevem. Já já eu volto ao normal!
  1. Não preciso nem falar que fiquei emocionada né? :~~
    é.. todo mundo achava que eu era um mulherão e eu só era uma menina véa e, assim como você, eu achei que seriamos excluidas. Ainda bem que nos libertamos um pouco e aquelas pessoas que não tinham nada a ver com a gente sairam. ahahahha (NÃO GOSTAVA MESMO E PRONTO!) :P

    Nossa turma é a mais próxima e amiga e isso é muito bom... manteremos sempre contato nem que seja virtualmente no nosso grupinho secreto do facebook, com conversas que só a gente sabe e nossos veneninhos de vez enquando! hahahahaha

    Faço das palavras da Gabi as minhas..
    Amo vcs, amigas e companheiras de ufc. :P
    beijos!!!

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  2. Que lindo post! Não tem como não se emocionar com ele. Estou no meio da graduação e já fico balançada quando me dou conta que mais alguns semestres e tudo vai acabar...

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  3. poxa, que post mais lindo de ler! eu tava lá lembrando das minhas memórias do colégio e não tinha parado pra pensar que logo logo é a faculdade que vai virar memória.

    que medo.

    beijinho!

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  4. Ai, que coisa mais liiinda!! Eu estou na faculdade, terminei agora o 2º período, e já tenho laços maravilhosos com muita gente. Você acaba mesmo se apegando, mesmo com os defeitos e as diferenças de cada um, ali todos estão passando pelo mesmo perrengue. De entrega de trabalhos, professores carrascos, prazos curtos. E depois, todos comemoram as vitórias - e as férias, hahaha!
    Beijo. :D

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  5. Nossa Couth, estou emocionada e com meus olhos cheios de lágrimas!
    Eu me sinto privilegiada por ter tidos vcs em tantos momentos comigo e fico muito agradecida pela força. Posso te dizer Couth que aquela faculdade não é a mesma sem vcs, mas eu e Rafa vamos conseguir nos formar um dia! uhuuuu!
    hahahaha

    Eu amo cada uma de vcs da turma da Will e sinto saudades de cada uma tb. Umas estão mais próximas, outras nem tanto, mas o carinho fica e como vc bem disse, eu sempre estarei aqui pra vcs, mesmo lá em Salvador! =)

    Couth, vc é tão linda e tão talentosa! Quero te dizer que eu amei ter te conhecido e quero que saiba o quanto eu gosto de vc e te admiro!

    Sucesso, linda!

    Um beijo grande, amiga! =****

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  6. Não precisa nem dizer o quanto qualquer universitário mais veterano se identifica com o seu texto. Eu mesma, há um ano de me forma, já senti um friozinho do estômago - já saudade.
    A carta está linda e suas amigas devem estar mais orgulhosas impossível :)

    Beijos.

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  7. Oww, Gabi!!
    Muito lindo, não sabia que era considerada gata de praia kkkkkk!!Tô tão longe ainda, ainda tenho muita academia pra fazer e bronze a pegar kkkk!! Mas obrigada pelas palavras, como sempre me emocionam... saiba que vc tem minha admiração!! Sucesso sempre e que sua estrela continue a brilhar!!
    Bjs!!

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  8. Considero maravilhosas as amizades que conquistamos em períodos escolares. Mesmo as mais passageiras tem seus encantos. Parabéns pelas suas. Beijão.

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  9. e ainda por cima tem último filme do harry potter!

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  10. li tudo e fiquei toda chorandinho, mesmo sem conhecer as pessoas, amo posts de homenagem/declaração de amor e o seu ficou todo lindinho! Vai colocar todas as suas amigas pra chora! haha
    beijo

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  11. Ao contrário de você, não fiz muitos amigos na faculdade, mas os poucos que fiz seguem meus amigos até hoje :)
    Lembro que rezava sempre para me formar logo e sair da faculdade, mas hoje sinto uma falta gigantesca dos trabalhos em grupo, das matérias loucas de telejornalismo, dos estresses pré prova de técnicas da imagem e som e das noites de estudos com os amigos...
    Mas, agora não volta mais...

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  12. li tudo! Você foi um grande presente para mim!! Beijos e desejo uma fase ainda mais maravilhosa para vc. Conta comigo.

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  13. Amizade é tudo! Um novo ciclo de vida maravilhoso pra você (: E que as lembranças permaneçam! Beijos!

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  14. Comigo também foi assim. A faculdade me fez gostar muito de pessoas com que eu nunca imagina que eu poderia me dar bem. Pessoas completamente diferentes de mim, mas que me fizeram perceber que todo mundo precisa se complementar.
    Enfim, muita felicidade na sua nova fase, Gabi! :)

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25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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