Meu Guia de Buenos Aires - Parte 3





Antes de tudo, devo dizer que se não fosse por esse livro - Buenos Aires, Onde comer bem, bacana e barato - do Alex Herzog, eu não teria ido a nenhum desses restaurantes. E por isso, sou muito grata. Alex, você proporcionou momentos de pura alegria selecionando restaurantes magníficos para quem vai a Buenos Aires!

Ao contrário da maioria das pessoas da nossa idade que viaja com mochilão e com outros propósitos que não comer, eu e o Marcelo fomos com o intuito de passar bem. E isso incluía comer bem, obviamente. Nada de miojo ou macarrão escorrido com pimentão. Antes de sair de casa de manhã, sempre consultávamos o livro pra saber quais restaurantes ficavam perto dos lugares que a gente pretendia ir, marcava tudo no mapa, e tal. Nessa brincadeira, praticamente não comemos nada ruim, almoçando, tomando chá e jantando quase todos os dias em lugares diferentes.

Então quem vai pra lá e também tem objetivos gastronômicos, ou simplesmente não gosta de comer no McDonald's, também procure esse livro. Especialmente porque com as imagens, você se sentirá atraído por outros restaurantes que eu não fui... Enfim. Vamos ao guia.


Os Restaurantes - Ou Onde Comer Bem e Ser Feliz

El Cuartito
El Cuartito é tipo assim, a melhor pizzaria de Buenos Aires. E também a melhor pizza que eu já comi, especialmente porque aqui em Fortaleza, no quesito pizza, é muito fraco. Mas não sou eu que está falando isso: numa pesquisa para descobrir a melhor pizza do mundo, a pizza do Cuartito estava concorrendo, vejam só. E claro, como a maioria das coisas em Buenos Aires, não se paga caríssimo por uma pizza maravilhosa (alô, pizzarias de Fortaleza que cobram 40 reais numa pizza ruim). E ainda é uma pizzaria antiga e tradicional, desde 1934, que os argentinos vão com frequencia assistir o jogo ou tomar sua Quilmes. Como tem escrito lá: A melhor pizzaria graças a você, seu pai e o seu avô.

Mas além da pizza, bom mesmo é a Fogazza. Ou a Fogazzeta com Jamón. Gente, o que é isso? O queijo vem dentro da massa, que é coberta de presunto delicioso e cebola, e é uma coisa tão gostosa.

Nenhuma ilustração em um milhão de anos conseguiria representar a magnitude que é uma Fogazza cortada, com tanto tanto queijo que você nem vê onde o pedaço estava em primeiro lugar.


O que é isso?! Oi?

Café Tortoni


Como já tinha comentado numa outra parte do guia, o que é ir ao Café Tortoni tomar um tradicional chocolate quente com churros? Uma delícia. E o ambiente maravilhoso e antigo... Para completar, só se você ainda quiser ver um tango. Mas o chocolate já é um show a parte. #trocadilhotoscoderevistas

Jardim Japonês
Também já tinha comentado como o restaurante do Jardim Japonês é ótimo. E é tão tradicional que parecia que todas as pessoas que trabalhavam lá tinham origem japonesa, do cara que cobra a entrada para entrar no Parque ($7, se não me engano), ao cara que te diz gentilmente que a espera para uma mesa é de uma hora. E o restaurante estava lotado, inclusive tinha um casamento (?) no dia que nós fomos.

Quando finalmente fomos comer, enrolamos horas namorando o cardápio, até decidir pedir um Gyoza. Um Gyoza é um pedaço do céu, feito de carne de porco cozida, envolta numa massa deliciosa e feita no vapor. Descrevendo assim não é grande coisa, mas acredite em mim: é! Nem me dei ao trabalho de desenhar o Gyoza, porque além dele ter ficado parecido com uma lesma não ia traduzir a maravilha que é um Gyoza. Então. Depois comemos um yakissoba magnífico e uma carne sensacional, e quando a barriga gulosa decidiu que ainda cabia alguma coisinha, resolvemos pedir o tal sushi que o Alex Herzog recomendava no livro. Mas aí já eram quase cinco horas e a cozinha tinha fechado. Quen quen... Vamos ter que esperar até a próxima pra saber qual é a do sushi.

Voulez Bar

O Voulez Bar foi uma paixão. Ele fica numa parte linda de Palermo, próximo a uma boulevard arborizada, e a história é que a dona morava num dos apartamentos na esquina dessa boulevard e ficava os dias olhando para o ponto vazio em frente ao prédio, sonhando com o dia que iria montar um restaurante ali. Que bom que ela montou!


Primeiro, o chá. Fomos lá depois de ter ido no Zoológico, famintos... É uma caminhadinha boa, uns seis ou sete quarteirões, mas vale a pena. Chegando lá, no finzinho da tarde, eu decido tomar um chá e uma torta, que eram especialidades da casa. E o Marcelo diz: vou tomar um café da manhã. Depois de um dia sem almoçar, o que um menino quer é tomar café da manhã duas vezes. Então veio uma refeição deliciosa de ovos com bacon, café com leite, suco de laranja, pãezinhos deliciosos, cream cheese e marmelada... E baratinho. Isso somado ao ambiente simpaticíssimo e o atendimento bom tornaram o Voulez Bar um favorito. Amamos tanto que... Voltamos na última noite para jantar! E foi uma ótima surpresa, porque o cardápio da noite é diferente do diurno. Comemos um super risoto e saímos felicíssimos.

Eu gosto tanto do Voulez Bar que às vezes, em momentos de descuido, quando o Marcelo me pergunta "onde tu quer jantar?" eu respondo que quero ir lá. Coitada de mim. Enfim.

Sirop Folie
Casal cheio de classe se diverte no restaurante chique

Ao contrário do Voulez Bar, que é um restaurante lindo e amigo, aquele que você quer ir sempre e fazer amizade com o dono e com os garçons, o Sirop Folie é um restaurante chique. Mas não é um restaurante chique qualquer... É o irmão mais descontraído de um restaurante ainda mais chique, o Sirop (sem Folie).

Demos muita, muita MUITA sorte. Primeiro porque ficamos meio intimidados em ir para lá, sendo turistas jovens (que, apesar de estarem dispostos em pagar um preço justo por uma boa pratada de comida gostosa, também não ganharam na loteria ou são ricos). Então resolvemos ir no último dia, quando nosso vôo saía de Buenos Aires de tardezinha. Não marcamos antes, mas assim que chegamos, conseguimos uma mesa porque alguém tinha desistido. Oi, argentino que desistiu de tomar seu brunch no Sirop Folie aquele dia, MUCHAS GRACIAS.

Também nem tentei desenhar a comida do Sirop porque... Simplesmente, não ia chegar aos pés do que a gente comeu aquele dia. Eu nunca, nunca na minha vida, comi algo tão gostoso. Todos os sabores se combinavam como mágica, tudo no prato tinha um motivo para estar ali.


Eu comi o ravioli, com recheio de pêra, molho a base de mascarpone e rúcula. Eu odeio rúcula e nunca tinha comido mascarpone, e nem curto pêra. Mas essa combinação deu TÃO certo que o prato é simplesmente indescritível. Era cremoso, salgado, doce, tudo ao mesmo tempo. E a sobremesa também era outra coisa incrível, macia e amarga, mas doce, e úmida... Aaahhh... Eu passei uns bons meses sentindo o gosto magnífico do meu ravioli na minha mente, e mal posso esperar voltar a Buenos Aires e ir no Sirop Folie de novo. Jesus, obrigada.

Edit:
Acho importante comentar os preços. Eu não lembro do preço de tudo, mas lembro claramente do preço da conta do Sirop, que foi o restaurante mais chique que a gente foi (tirando a merda do restaurante que eu citei abaixo)... A conta de entrada (pães e patês que vem sempre, de graça, mas nem sempre são gostosos), três pratos, dois refrigerantes e um chá, e uma sobremesa deu 300 pesos. Dividido por 3 pessoas. Dividido pela metade, porque o peso é tipo cinquenta centavos. Ou seja: foi barato DEMAIS.

Outra coisa que eu lembrei agora: em alguns restaurantes eles cobram na conta uma coisa chamada "cubiertos", que custa sempre menos que $10 por pessoa. Cubiertos é uma taxa que você paga sobre... os talheres. Sim, dá vontade de dizer: quero pagar essa merda não e vou comer com a mão, ora. Mas essa taxa é meio parecida com os 10%... A Morgana, que faz faculdade de culinária e mora lá, disse que tem a regra de, quando o restaurante cobra os talheres (absurdo), ela não dá a gorjeta, a não ser que o serviço seja SENSACIONAL, tipo o do Sirop Folie. Pagamos os cubiertos E a gorjeta.


Restaurantes que você NÃO deve ir

Como disse, tivemos quase nenhuma experiência ruim. As duas únicas que tivemos talvez tenha sido ocasional, talvez tenha sido a noite, ou o garçom, ou o chef que estava de mau humor, ou qualquer coisa assim. Especialmente porque já vi críticas ótimas, e o próprio Herzog também recomendava esses restaurantes... Enfim. Vou citar dois que foram horríveis:

La Cabrera
O restaurante era pra ser A Melhor Parrilla da Cidade, mas por uma enorme junção de acontecimentos, foi um fiasco. Primeiro porque esperamos por três horas para conseguir uma mesa. Três horas. Mas estávamos bem humorados, tomando bons drink (que eles dão porque... sempre tem mil pessoas do lado de fora querendo entrar) e boas linguiças deliciosas com molho. Depois das duas horas de espera, começou a bater um desânimo. A linguiça tava boa, tinha sido de graça, então... por que não ir? Mas quando você já esperou duas hora e meia, você pensa "fiquei até agora, fico mais duas horas, ORA". Bom. Aí que depois de três horas meu ânimo não estava mais o mesmo. O Marcelo e a Morgana estavam comendo chilitos (isso mesmo, CHILITOS) sentados na calçada do restaurante, eu estava com fome, tinha mil pessoas, enfim. Eu estava com fome antes de sair de casa, três horas depois, só podemos imaginar.

Okay. Esperamos. Finalmente, depois de hoooooooooooooras, chegou a nossa vez de sentar. Fomos logo atacando a água que aguardava belamente sobre a mesa, super convidativa, e é claro que pagamos uma baba por ela depois quando veio a conta. E... A comida em si não tava boa. Pedimos um filé e outro corte de carne, mas não estava saboroso. Aliás, estava sem graça. Quando veio a conta, foi caríssimo, ruim, e se eu já estava com o humor meio oscilante da fome e da espera, voltei para casa aos pulinhos.

Ah, mas o Manoel Carlos estava lá também! Ficamos rindo horas imaginando se a próxima novela vai começar em Buenos Aires. Espero que o Maneco tenha gostado mais da comida que a gente. Se na próxima novela acontecer da mocinha conhecer o par romântico enquanto esperava horas em frente a um restaurante, vocês já sabem de onde isso veio.

O Café que Fica Dentro do Ateneo
Pedimos um café e uns pedaços de torta, que estavam horríveis. Tão horríveis que ninguém aguentou comer, com um gosto meio rançoso, meio mofado. E ainda foi caríssimo. Algo do tipo $17 por uma GARRAFA D'ÁGUA. Por favor, né? Por esse preço eu me fartava no Voulez Bar pela terceira vez.

Edit: minha mãe viajou para Buenos Aires recentemente e disse que a torta de limão do Ateneo estava magnífica. Então pode ser que você encontre uma torta de limão magnífica quando for... Ou que você se depare com uma torta meio mofada que ninguém aguentou comer. Corra o risco!

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Endereços
El Cuartito: Talcahuano 937
Café Tortoni: Avenida de Mayo 825
Jardim Japonés: Avenida Figueroa Alcorta / Avenida Casares
Voulez Bar: Boulevard Cerviño 3802
Sirop Folie: Vicente Lopez 1661 - Pasaje del Correo (tel: 48135900 ligue pra reservar!)

Cosplayer & Harry Potter

Ou um post com muitas imagens e alguns resultados da minha Monografia



Quando você tem uns 11 anos e vai para uma festa de aniversário de criança, você fica meio deslocado. Primeiro porque você não é velho o suficiente para conversar com seus primos adolescentes ou adultos, e também porque você não se sente mais criança a ponto de ficar com as crianças assistindo o dvd da Galinha Pintadinha. Mas depois de uma certa idade, você consegue tanto conversar com os adultos quanto escolher brincar, cantar com a Galinha e comer os bonbons da lembrancinha sem culpa. Pode ser meio estranho, mas é assim que eu me sinto usando cosplay de Harry Potter.

Durante muitos anos excluídos da minha adolescência, quando eu já tinha passado da fase de literalmente brincar de Hogwarts com minha varinha de espeto de churrasco (cerne de pelo de unicórnio) decorando todos os feitiços, eu era levada a ter vergonha de gostar de uma coisa "infantil". Claro que Harry Potter não é infantil, e eu NUNCA deixei de ser apaixonada pela série, mas eu nunca tinha sequer cogitado ir de cosplay. E passar vergonha no cinema.

O último filme se aproximava e, com os preparativos da minha monografia, entrevistando todos os cosplayers da cidade, começou a despertar um desejo dentro de mim de... ir de cosplay. Viver aquele momento. Perguntei na entrevista sobre o sentimento de estar de cosplay numa estreia de HP, e tive respostas tão lindas que pensei "é isso... não posso mais adiar". No último filme, eu tinha que ir de cosplay.

Dos fatores que influenciavam na escolha do cosplay, de acordo com os queridos cosplayers alencarinos, estava:
1. Querer ser igual ao personagem favorito;
2. Aparência física semelhante;
3. Querer estar incluso no mundo da magia, mesmo que por um dia;
4. Contribuir para a magia do ambiente.

Bom, meu personagem favorito é o Fred Weasley, seguido pelo Hagrid, depois a Luna e a prof. Minerva. Fred e Hagrid não rolava, e a Luna entrava em conflito com o quesito 2: eu não sou nem um pouco, nem uma grama, parecida fisicamente com a Luna. E também não queria ir de professora, porque meu sonho era ir de aluna, usar a gravatinha. Mas também... Não queria ir de aluna genérica, queria ir de alguém. Alguém que fosse identificável, de preferência.

Aí que a Lavender Brown (Lilá em português... Por que, né?), que aparecia no sexto filme como uma doida, tinha um lenço na cabeça. Aí que minha mãe tinha um lenço do mesmo jeito. Aí que ela usava umas pulserinhas e tinha o cabelo cacheado... Pronto, já tinha decidido.



Claro que a Lilá não é minha personagem favorita, mas eu gosto dela. Primeiro porque ela não é tão imbecil como no filme; e também ela é uma Grifinória. Ela é corajosa, e é nobre. Mas, assim como eu era quando tinha 15 anos, era bem mongol. Tinha uma melhor amiga inseparável, vivia de segredinhos e risadinhas, era muitíssimo interessada em horóscopos, destinos e adivinhações, e um dia deixei de me apaixonar pelos meninos inalcançáveis e passei a notar os garotos comuns, que sempre tiveram perto de mim e eu nunca tinha notado. De repente, eu tinha mil coisas em comum com a Lilá.

Aí né, vamos pro cosplay: meia calça já tinha, blusa branca minha mãe já tinha, o lenço também, troquei o sapato feio por uma bota e decidi usar meu maxi cardigan ao invés do oficial, para economizar (truques fashionistas, beijos). Mandei fazer uma saia que não deu certo, e acabei achando uma na Renner por tipo 20 reais, tamanho 48, que eu mesma ajustei. E encomendei a gravata pelo mercado livre...

Mas e a varinha?



Se fosse pra comprar uma varinha, eu compraria a do Fred (ahh, Fred!) e não a da Lilá. Mas aí ia ser caro, podia não chegar a tempo... Decidi fazer mesmo. Pedi para minha mãe levar na empresa dela, onde tinha ferramentas, pra alguém cortar o pincel e unir a varinha. Ela me volta, morrendo de rir, com uma... vassourinha. O cara achava impossível eu querer unir os dois cabos, que coisa mais... sem propósito! Tivemos que comprar OUTRO pincel e ir num marceneiro, ficar do lado dele, enquanto ele cortava e colava. Ainda assim, quase que ele cola errado e eu volto pra casa com mais uma vassourinha.

Aí pronto, varinha na mão, fiz as pulseirinhas e o anel que ela usa, e como boa viciada em beauté, fiz o teste de maquiagem (que sempre faço quando vou a qualquer festa ou acontecimento, haha). Era só esperar o dia!



Tive uma crise de identidade na hora de me vestir, achando que eu não devia ir de Lilá... Mas mudei de ideia. Na hora que fiz as tranças e coloquei o lenço, comecei a sorrir. E fui sorrindo até o Iguatemi ver o filme. Passou o nervosismo (eu estava um caco nos dias que se antecederam com a perspectiva do fim), passou tudo. Andei pelo maior shopping de Fortaleza com varinha na mão, sorrindo morta de feliz... E passei duas horas suando na fila sem ar condicionado, ainda morta de feliz.

(Tem um cartão no chão! Hahahah! Acho que é meu cartão da Saraiva)

E passei o filme inteiro aos prantos. Foi exatamente assim, exatamente:



Não dá para descrever a sensação que eu senti quando as luzes se apagaram: eu já tinha começado a chorar. A logo do Harry Potter foi a gota d'água pro choro virar um pranto. Chorei quando vi a Luna. Chorei por tudo. Consegui parar de chorar no final, quando comecei a vibrar loucamente durante a batalha, mas aí voltei a chorar de novo, claro.

É tipo o fim de uma era. Estou formada, Harry Potter acabou. Não tem mais nenhum jeito do universo me dizer: pronto, você é adulta.

Claro que isso não me impediu de acordar em cima da hora no dia seguinte, vestir o cosplay correndo para ir na estreia, assistir o filme pela segunda vez toda montada. E foi lindo do mesmo jeito. Acabou, mas eu estou feliz :) E vamos pro Pottermore, né?

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Para as Minhas Amigas

Ou: Um post Extremamente Longo e Profundamente Pessoal


Meninas,

Quando eu cheguei na faculdade, há quatro anos já, era uma menina velha e assustada, hahaha. Vinha de um ensino médio cheio de amizades que acabaram sendo desfeitas (por distância física, ou apenas a distância inevitável do crescimento), mas que tinham deixado marcas profundas. A mentalidade dos grupinhos ainda não tinha saído de mim, e um semestre numa faculdade particular apenas reforçara a minha ideia de que... eu conseguia pertencer.

Eu lembro do primeiro dia de aula. Lembro de chegar lá na UFC, minha mãe sorrindo com ares de "você vai adorar isso aí", e eu genuínamente nervosa. (provavelmente de blusa branca e calça jeans, minha farda do começo da faculdade) Encontrei com a Nina, trocamos um olhar esquisito, e pronto. Ela tinha aquela cara de quem sentava no fundo da sala e vivia matando aula, vivia indo pras festas. Ou seja: nada a ver comigo. A benção da UFC é justamente essa: ao conhecê-las, vi que praticamente ninguém tinha nada a ver comigo. Éramos todas completamente diferentes uma das outras, eu excessivamente nova, além de tudo.



Lembro de conhecer a Flávia e a Rafaela, logo de cara. A Flávia eu tinha visto no orkut, e pela foto, pensei que ela fosse uma daquelas gatas da praia que vivem bronzeadas e são de bem com a vida - que nem a Veve. A Rafa tava com uma mochila que tinha um botton do Naruto. Eu nunca gostei de Naruto, mas pensei: ok, essa aí é das minhas. Felizmente, não me enganei! Hahah! Também logo descobri que a Flávia não era uma gata da praia, mas que também vinha de uma história de amizades muito parecida com a minha... E que nós éramos muito parecidas. Mas aí que reside toda a diferença, toda a mudança: a Gabriela de 16 anos ficaria num grupinho, olharia torto para as outras. E provavelmente foi isso que eu pensei na época, sem ter a menor ideia que acabaria amando todas vocês.

A Nina, que sentava no fundão, tinha uma cara de drogada, cheia de tatuagens, andava e falava como um moleque. Uma conselheira linda, amiga de milhares de risadas, conversas sobre a vida, sobre tudo. A Lis, que era (é) esmagadoramente linda, com aqueles olhos claros e aquele cabelo gigantesco e liso. Tinha tudo para ser daquelas meninas que senta lá na frente do colégio, e fica jogando a cascata de cabelo para trás, esnobando quem era diferente (eu). Ao invés disso, uma menina que é um doce, engraçada, bobinha, que ria de tudo... E que também ia ser assim, uma daquelas amigas mais lindas.

A Veve sempre tão boa, sempre tão calma, que sempre cortava as nossas sessões de tesouragem com um "ô gente, não é assim". Super talentosa, desde o primeiro momento. A Van (Branca) também, super talentosa, super jeitosa. Paciente e sempre com ânimo para ajudar quem quer que fosse.

A Tati, contando logo no primeiro dia de aula (eu até lembro a blusa que ela tava usando!) como quase não tinha passado no vestibular, porque tinha ido embora com a prova. Falou daquele jeito dela, nervosinha. Imagina se não tivessem anulado aquela questão de física e a Tati não tivesse passado? Ao lado dela, a Van e a Gabi - Glamour. A Van que era tão quieta, e que depois virou um mulherão, cortando o cabelo e deixando ele cada vez mais lindo a cada semestre. Minha mestra em assuntos do Centro da cidade. A Gabi que adorava usar roupas de cores berrantes, e que hoje também é outro mulherão, divertidíssima, chique, mas que ainda usa aquela mesma mochila querida do começo, toda customizada e cheia de glamour.

A Will e a Kat, com toda a sua calma e serenidade. E com toda a sua calma, também não perdiam um evento estudantil. Como podem ser tão quietinhas e queridas? Tinham jeito de ser estudiosas, sentar no meio da sala, serem legais com todo mundo e legais demais com ninguém em específico. A Will tinha um cabelão e só se vestia de bege - lembro da Nina falando que o sonho dela era ver a Wilma trocando de roupa com a Gabi. Isso provavelmente não aconteceu, mas as duas certamente mudaram muito.

A May e a Jade, que, sem dúvida, ainda são as que menos se parecem comigo. A Mayara e seu jeito simples, direto, desbocado. Tudo pra ela pode ser resolvido de imediato, e é quem sempre põe fim a gritaria (com o seu timbre doce, haha), que, como minha vó diz, vai, faz e acontece. A Jade que sempre tem projetos incríveis, que ela vive mudando, como muda de cabelo (se bem que faz tempo que é ruiva), que tem uma inteligência crítica sensacional. As duas sempre pareceram irmãs pra mim. Diz a Mayara que é a Jade que imita ela. OK.

A Paulinha, que eu me sentei junto logo no começo, e ficamos conversando e falando sobre agendas (?). Só quem venceu o maior medo de andar de avião e subiu no palco para dançar com o seu maior ídolo, a Shakira. A Paula, assim como outras meninas, desistiu do curso... Mas acabou voltando. As outras não tinham nada a ver com a gente, digo mesmo. Mas ela, eu sempre soube que ia voltar. E, para ela que ficou, agora que a gente já tá indo embora, desejo muita força.

Nem sempre foi bom, nem sempre foi fácil. Choramos muito, nos estressamos horrores. As entregas de trabalhos eram estafantes, preencher fichas técnicas pra mim sempre foi motivo de choro e raiva. Quem não sabia desenhar também compartilhava da dor de ter que fazer 20 (40, na época do famigerado Jops) croquis. Passamos por eventos, backstages, excursões falidas à fábricas. Mas também teve muitos momentos incríveis. Não falo nem das viagens (que eu nem fui :( ), nem especificamente das festas, mas sim daqueles momentos bestas. Aqueles que a gente não dá o devido valor, mas que eram mais que especiais. Esperar a aula começar do lado de fora da sala, jogando conversa fora. Sair pra comer um salgado com refrigerante no Obesus. Estar no meio da aula e ver alguém comendo bolo de chocolate, e de repente, sair todas (uma por uma) pra comer também. Ouvir as professoras dizendo "nossa, mas vocês ainda andam juntas!", depois de vários semestres. Claro que andamos. E como não haveríamos de andar?

Por mais que sejamos diferentes (e somos...somos diferentes até demais, beirando o improvável), sempre tivemos amor. E por mais que tivéssemos outras amigas fora da faculdade, por mais que não tenhamos contado tudo umas às outras, sabemos que somos fonte de suporte e conforto uma para a outra. E para vocês eu digo obrigada, por tudo. Sem a presença de vocês na minha vida, para me mostrar como é bom abraçar as diferenças (e por terem abraçado as minhas diferenças também), eu não teria amadurecido e... Me tornado quem eu sou hoje. Ainda bem mais nova que vocês, mas bem menos assustada.

Eu não vou mais voltar ao Pici para assistir aulas... Nem nunca mais vamos nos ver daquele mesmo jeito despreocupado no intervalo das aulas. Mas continuarei sempre aqui, para vocês!

Meninas, vocês têm o meu amor!
Beijos,

Gabi. A Couth, é claro.


Nem todas... Mas lindas!


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E para você, que não é nenhuma das minhas amigas e leu até aqui (uau), e por acaso vai entrar na faculdade, também perca todos os preconceitos. Sorria. Saio da faculdade com um bom conhecimento profissional, mas principalmente com a felicidade de saber que conheci pessoas maravilhosas... E que vou carregá-las comigo o resto da minha vida.

A última carta que eu escrevi desse gênero foi em 2006. Eu estava realmente inconformada com as mudanças, e sobretudo inconformada com a (falta de) capacidade de algumas pessoas que me rodeavam aceitá-las. Hoje, depois de tanto tempo, posso ver as coisas com muito mais clareza. É claro que eu errei, e tinha razão em dizer que sentia muito... Eu sinto muito. Mas, como num relacionamento, às vezes o amor acaba. O sofrimento passa. Tudo sempre passa... O sentimento que fica, claro, é lindo. Tenho as memórias mais lindas de uma adolescência cheia de amor e amizade, adormecida agora, mas para sempre viva dentro de mim. Nunca vou esquecer disso :)

PS: Estou notadamente sentimental. É o fim de mais um ciclo da vida, gente. Relevem. Já já eu volto ao normal!

25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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