Rio: Praça XV


Toda vida que vou no Rio não consigo deixar de ir à feirinha da Praça XV. São suas coisas tão ligadas que sou incapaz de me imaginar estando no Rio num sábado de manhã e não me corroer de curiosidade se aquele quadrinho que estou procurando há séculos ou meu novo óculos favorito irá aparecer por lá. Sinto a feira quase como Norfolk em Never Let Me Go, o lugar onde tudo que está perdido vai.

Mas vamos aos fatos: você tem que ter perseverança. Tem que ter coragem. Tem que saber negociar, e o mais importante de tudo, tem que ter visão. Porque não há o menor critério de escolha dos vendedores do que dispor, então enquanto há óculos vintage de Christian Dior originais, também há garrafas de Teacher vazias, meias sem par e brindes recentes do McDonalds. E, ultimamente, tenho percebido uma crescente mistura de bijuteria da China no meio das antigüidades  então também, tem que ter o bom senso de não se deixar enganar (ou então de ser viciada no eBay a ponto de bater o olho e reconhecer até qual foi de qual loja que aquele anel veio). Mas num passeio que parece absolutamente furado é onde está o segredo de boa parte do meu estilo. Sim, amigos, porque é lá que comprei meus óculos. E se não todos eles, a grande, grande maioria, inclusive o de grau.

Ela tem uma divisão que é a seguinte: o começo, onde tudo tem um preço razoável, os expositores tem um senso médio de organização e produtos. A parte alta, que é onde vendem móveis, todos os expositores são profundos conhecedores e não hesitam em lhe dar uma facada de tão caro que querem vender as coisas. E a parte mais baixa, após a parte alta, que cheira a xixi, tem as barracas mais sem noção de todas, mas é lá que você consegue encontrar, não sem muito esforço, compras que fazem a viagem inteira valer à pena.

E sabe o que é melhor da feira? O preço. Porque é claro que tem expositor que tem senso e vende um óculos Rayban vintage dos anos 1960 de tartaruga (mesmo) por R$ 200 (não na Parte Alta, lá seria R$ 700). Mas tem aquele que vende um quadrinho, primeira edição, original, em inglês, do Garfield por R$ 1. Claro que não é toda vida, mas esses momentos gloriosos existem. Então, voltando as palavras de sabedoria da feira: bom senso, perseverança, coragem e visão.


É assim que geralmente encontramos as barracas boas, uma confusão de coisas sujas e peças misturadas. Mas só de olhar essa foto já vejo um bracelete vintage lindo, aqueles puxadores fofos que eu sempre quero comprar e nunca compro, uma chave antiga (quem sabe pra um colar ou um quadrinho). Sentiram? É assim que o negócio funciona.


Telefone Candy Color = Tendência



Também tem várias barracas temáticas, como a do sr. Japonês, que vende pincéis e miniaturas. Eles não são antigos, mas tem um preço bom, então tudo bem, né (regra 1: bom senso). E câmeras antigas! E olhem todas essas latas e caixas! Meu coração palpita por latas e caixas, mas eu já tenho um número exagerado (muito exagerado, muito) de latas e caixas no meu quarto. Dessa vez não comprei nenhuma.

Mas nunca consigo ir a feira sem comprar um óculos, nem que seja unzinho de R$ 20. Sim, é consumismo, lógico, mas quando é que você vai encontrar uma quantidade tão grande e legal de óculos vintage? E também sempre me perco nos stands de quadrinhos. Esse do Batman passou batido pelo Marcelo, até agora ele se remói de desgosto por não ter visto.

oh, hullo

Confiram aqui o post com todos os achados da feira!


  • A Feirinha da Praça XV acontece nos sábados, geralmente a partir das 10h na... bom, na Praça XV.
  1. Gabi, sou dessas que não tem a menor paciência pra pescoçar em feiras! Teria que fazer um passeio desses na sua companhia, pra poder ser guiada. Até porque sou tonga e compraria gato por lebre. HAHAHA.
    Beijos! <3

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  2. Tô babando litros! Sou louca por feirinhas de antiguidade, e agora essa da Praça XV foi adicionada à minha lista de motivos pelos quais eu não posso passar mais um ano sem ter conhecido o Rio.
    Sou viciada na feira de Benedito Calixto em São Paulo, mas por lá o que impera mesmo é uma grande parte alta, óculos, bijus e coisas que valem à pena costumam custar bem caro - nem me fale dos telefones vintage e das câmeras! O que meu tio diz que costuma compensar por lá são os vinis, mas como não tenho vitrola em casa, nem me empolgo muito.
    O que acho mais legal é que ao redor da praça tem um galpão com uns estandes dessas coisinhas que a gente adora, e sempre tem uma galera que vende uns vestidinhos e umas sainhas estampadinhas e frufrus que acho amor demais.
    Ai feirinhas <3
    E que lindas as fotos do post!

    beijos

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  3. Ai, dona Gabriela. Agora eu estou morrendo de vontade de ir nessa feirinha! E com você de guia, de preferência, hahaha! Adoro garimpar e ia morrer com esses óculos vintages. Recentemente eu ousei - na minha concepção de ousar - e mudei minhas armações. Ainda não tá pronto, mas depois eu mostro como ficou e peço seu veredicto.

    Beijos!

    P.S: Essas fotos ficaram lindas!

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  4. COUTH COUTH, Tô aqui morrendo de vergonha porque eu moro no Rio (mesmo que seja distante do centro, mas sei que não é desculpa) e nunca fui exatamente na feirinha! Já tinha ouvido falar que lá é realmente incrível, mas tem que ser determinado e ser um mestre do garimpo, rs. Já estou juntando minhas moedas aqui para fazer um tour pela feira assim que der e ir correndo atrás desses óculos, dessas câmeras, DAQUELE CHAPÉU! hahahahah
    Amei o post e a dica, Gabriela. Btw, fotos lindas ♥
    Beijinhos ♥♥

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  5. Parece ser muito maneira essa feira, mas confesso que não tenho paciência para procurar coisas legais, e não tenho talento para negociar preços. Hahahahaha.
    Beijo! <3

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  6. Eu te xinguei até a 5ª geração porque você acabou sem post sem ter mostrado os seus achados. Como assim, dona Gabriela? E olhe, precisamos um dia na vida ir nessa feira, porque eu juro que sou a melhor companhia do mundo pra fuçar nessas coisas e desenterrar verdadeiros tesouros. Quando você falou que tem câmeras antigas eu meio que tive um orgasmo fotográfico por aqui, sabe? E tenho certeza que ia ter que comprar uma mala no Rio pra poder trazer todos os quadrinhos, caixinhas e latinhas (também amo muito!) que ia comprar por lá. Ah, Couth, vamo comigo, vamo?

    Beijo!

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  7. Ai que sonho! Sempre quis ir numa feira assim, não consegui ir na feira de Notting Hill de Londres, que minha tia disse ser algo semelhante a isso e fiquei com medo de ir na de NY. Aqui tem feiras, mas elas são de coisas novas, de antiguidade eu fiquei sabendo que existe uma num lugar lá, mas eu nunca fui, mas, ah, já tenho um lugar para ir quando for ao RJ! Sério. Ainda mais agora que sei que é de lá que seus lindos óculos vieram HAHAHAHA
    Abraços!

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  8. Tenho tentado garimpar mais nas feirinhas de São Paulo, mas os vendedores estão mais malandros, tudo agora é hipster, é vintage, é valioso demais. Vivo em caça de câmeras antigas, mas hoje em dia elas saem amis caras que qualquer digital, dependendo da feira. Aí é garimpar, garimpar e garimpar. Mas também, uando a gente acha alguma coisa, a alegria é mil vezes maior.

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  9. Quando eu estive no Rio, não fiquei sabendo dessa feira maravilhosa e fui perder meu tempo na feira hippie de Ipanema. Tudo era caríssimo, pra turista. Achei até um colar de "prata" por 1000 (mil) reais. Nunca senti tanta saudade da feirinha aqui de Campinas, que vende brinco de coco a 2 reais e de pedras naturais por 5. Quem mandou ficar em Ipanema, né? Da próxima vez que for ao Rio, darei umas voltas no centro que tenho certeza que vale mais a pena.
    Mas, nossa, amo uma feirinha.

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  10. Não acredito que perdi! :(
    Fotos incríveis, sempre!

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  11. Amei as fotos, Gabriela!

    Sempre que vou ao rio morro de vontade de conhecer a feira, mas acontece que nunca vou. Acho que depois desse post vou subir a feira para a prioridade número 1 de lugares que preciso visitar no Rio!

    Beijinhos :*

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  12. menina, que brush magia eh esse q vc ta usando nas fotos?!!

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    Respostas
    1. Oi Anon! Então, eu uso os brushes do próprio Photoshop, mas com configurações diferentes, haha, não sei explicar direito...

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  13. É uma pena de fato.. A queda do morcego ali, na minha frente.. Precisava só de mais 1 minuto de atenção e 4 anos pra completar essa coleção.. o/

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  14. Nossa, ameeeeeeii. Com certeza a próxima vez que eu for ao Rio darei uma passada lá. E como tenho planos de me mudar no meio do ano pra continuar meus estudos da moda, provavelmente esse lugar vai ser um ponto chave pra decoração do meu ap. Simplesmente ameii!

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25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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