Rio: Petrópolis

Tudo bem, fui pro Rio em janeiro. Tudo bem, já estamos no fim de Março (!) (o que acontece com esse ano?!). Mas ainda tenho desenhos e fotos guardadas que preciso compartilhar. Então tudo bem, né? Vocês entendem? Se for pra todo mundo se sentir melhor, vamos fingir que eu fui pro Rio, sei lá, fim de semana passado, pode ser?

Meu avô tem um sítio na estrada voltando de Petrópolis, e não guardo nenhuma memória de lá. Quando tinha nove meses fomos todos ao Rio, comemorar seu aniversário de 60 anos, que consistia basicamente nele comandando a churrasqueira do sítio para todos os parentes. Meu avô é cearense, mas morou tempo no Rio o suficiente para pegar todo o sotaque do mundo. Meu pai é carioca e voltou pra cá. Eu sou cearense e quero sempre voltar pra lá também, mas espero sempre chiar menos. A vida tem dessas coisas. A única coisa que lembro do sítio são histórias, como: os cachorros que roubavam as galinhas dos vizinhos e traziam os pés das coitadas pra dentro de casa. O bode. O bode! Meu avô tinha um bode, e o nome dele era Cheiroso.

Nessa viagem ao Rio, meu pai propôs de alugarmos um carro e irmos até o sítio, que está razoavelmente abandonado há uns 15 anos. Pois é, meu avô voltou para Fortaleza, e o sítio ficou lá, e a churrasqueira vazia, criando plantas. Em parte queríamos ir pelo passeio, mas principalmente para ver o que havia sido deixado para trás e, sim, saquear o sítio abandonado. Meu pai havia pintado alguns quadros quando novo, tudo arte moderna, mas embora tivesse começando a ser reconhecido, não levou muito a sério. Um dos quadros tinha a promessa de estar lá, assim como outros objetos que ele conta, como um casco de tartaruga que ele achou na praia e levou como bagagem de mão de Fortaleza pro Rio. Um dia antes de irmos eu torci o meu pé (essa história mais uma vez), mas meu pai insistiu que todo mundo fosse, e pulando que nem um saci eu fui. Voltar ao sítio. Levar o Marcelo para conhecer Petrópolis.

A entrada era a mesma coisa que o papai sempre lembrou, e não foi difícil de achar. E lá estava o sítio, incrivelmente verde por fora, mas sim, com aparência de abandonado. Não pude entrar na casa para ver (não aguento andar aos pulinhos, e ninguém aguenta me carregar), então me sentei num banco, ao lado da churrasqueira. A Churrasqueira do Vovô.

De dentro de casa, só conseguimos saquear uma xícara e um vaso, tudo mais já tinha ido embora. Até o quadro moderno assinado por um tal de Neco, o casco de tartaruga e, claro, o bode Cheiroso. Mas o verde ainda estava lá, a piscina (seca) também, e a churrasqueira cheia de plantinhas, que na minha imaginação parecia o lugar perfeito para seres pequeninos e mágicos se esconderem. Sim, isso foi clichê, mas me desculpe, não pude deixar de imaginar a Arriety correndo por ali.



Em Petrópolis meu pai não conhecia direito tudo, então passeamos de carro ao redor das casas antigas e dos canais. Tínhamos a intenção de ir aos museus, mas o pé não quis ajudar e o Marcelo não quis ir sozinho. Ficam só as fotos do dia mesmo.






Uma semana depois de termos voltado, as chuvas mais uma vez atingiram a região serrana do Rio, inclusive na região do Xerém (que é onde está o sítio). Sou incapaz de acreditar em desculpas que a sirene não foi ouvida, num problema que acontece uma vez por ano. As alamedas entre os canais que passamos de carro foram inundadas, e sim, pessoas perderam casas. Não consigo entender como ninguém toma absolutamente nenhuma providência.

Só espero que, da próxima vez que formos ao sítio, o seu portão continue lá, da mesma forma que sempre esteve.


Com churrasqueira e tudo.
  1. Amiga, fico imaginando o quão forte deve ter sido pro seu pai retornar a essa casa, pena que você não pode ir junto.. Aposto que renderia fotos e desenhos incríveis.
    Sempre quis conhecer Petrópolis, parece uma cidade meio mágica, essas construções antiguinhas e meio coloniais sempre me encantam!
    Beijo! <3

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  2. lugar lindo. assim como suas ilustrações!

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  3. Todo verão é a mesma coisa: alegria de um lado e mta tristeza por causa das chuvas e da serra. :(
    Pena que não foi ao museu imperial. Não tem coisa mais divertida do que usar as pantufas e escorregar museu adentro rs

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  4. Seu pai parece ser um cara incrível. Que pena que saquearam a fazendo do seu avô antes de vocês conseguirem, mas fica a lembrança e o portão bonito. Sempre quis ir a Petrópolis. Petrópolis e Parati, devem ser lugares lindos.

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  5. Parece um pedacinho de um mundo encantado. :)
    É uma pena que foi abandonado porque seria um paraíso viver aí. Nunca fui pra Petrópolis, mas imagino que mescle o melhor de um "interior" com a proximidade do Rio. Ou viajei? E seu desenho ficou muito parecido com um mundinho encantado mesmo!

    http://www.paleseptember.com

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  6. Oiii Gabriela!!! Eu descobri hoje seu blog e estava dando uma olhada. Sou de Petrópolis e foi tão gostoso ler que você veio de tão longe pra cá!
    Bem, aquela chuva assustou muito a gente daqui da serra... em 2011 aconteceu a mesma coisa!é muito triste :/
    Mas graças a Deus muitas pessoas se mobilizaram para ajudar com doações, pelo menos isso, não é?
    Bem, você passou pelo Quitandinha (meu lugar favorito na cidade), pela rio Ipiranda (viu a casa dos sete erros?) e por aquela velha fábrica abandonada no caminho do Quitandinha ao Centro da cidade (que é onde eu moro). Sempre que passo por ela imagino que muitas coisas legais poderiam ser feitas alí... um centro esportivo, um shopping descente... enfim
    Tem muuuito da cidade pra conhecer, ela é tão linda, pra tirar fotos é perfeito. Caso algum dia pense em voltar, ficarei muito feliz em te mostrar o melhor da cidade... é só me procurar! haha
    PS: seu blog é encantador! de verdade! Beijos, Ana.
    www.bolasdemeia.com

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25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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Esse blog está vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque ninguém há de copiar esses textos e ilustrações sem dar o devido crédito.