Filme: Say Anything

Foi em alguma dessas listas que a gente acaba encontrando pela internet que eu vi (no meio de outros filmes lindos adolescentes do fim da década de 1980 que eu amo) a indicação para esse filme, o primeiro do diretor Cameron Crowe. E como é que eu nunca tinha visto? Só de bater o olho na foto, soube que já tinha visto aquela cena centenas de vezes.

Esse é o Lloyd Dobler, e você vai se apaixonar por ele

Eu sempre gostei de filmes de romance adolescente, sempre. Tanto que meu filme favorito enquanto criança era Pateta o Filme, que focava no romance do Max com a Roxanne (ai, como eu amava esse filme) e  Sonho de Verão, que tinha as paquitas + paquitos + férias. Fui crescendo e continuei nutrindo esse amor por esse tipo de filme meio idiota, mas que no fundo a gente ama, especialmente aqueles mais cocôs que envolvem meninas sem ser populares ficando populares, caras populares que se apaixonam e se tornam legais, caras nerds que são legais e não ficam com ninguém, disputa e triângulos amorosos entre melhores amigos, essas coisas. Óbvio que tem muito filme lixo nesse meio, mas posso afirmar genuinamente que AMO 10 Coisas que eu Odeio em Você, amo com toda a minha vida.

Não sei se sou eu, endurecida pelas horas de trabalho semanais, contas pra pagar e reflexão no trânsito, mas de uns tempos pra cá a coisa desandou. Temos aqueles filmes terríveis de high school com atrizes velhas se fazendo de novas, todos os atores trabalhados na barriga tanquinho, uma mistura chata de câncer ou algo do gênero, e a Amanda Bynes fazendo caras e bocas que um dia era simpática e agora é um monstro. São todos filmes meio com cara de seriado da Disney, com gente pronunciando tudo de forma exagerada e arqueando as sobrancelhas.

Mas é aí que Say Anything é diferente. Primeiro porque a Diane é linda, é legal, mas não é exatamente popular. É o tipo de aluna modelo que aparentemente tem a vida perfeita, faz trabalho voluntário cuidando de velhinhos, ganhou uma bolsa de estudos para uma das melhores universidades da Inglaterra, e mesmo assim é cheia de inseguranças e sente que ninguém a conhece. E aí tem o Lloyd, que é um cara legal, que não tem ideia do que fazer da vida. E, de forma muito muito corajosa, ele decide ligar pra ela e chamá-la para sair. E, simples assim, ela vai. 



O relacionamento que eles constroem é a coisa mais linda, mesmo ela com as horas contadas para se mudar, apavorada do futuro brilhante que está reservado para ela. Quantas noites ela passou acordada estudando, quantas férias perdeu para se dedicar a outros cursos paralelos, quanto ela e o pai investiram nesse sonho? Esse pai, que é o seu maior conforto, que a incentiva a todo momento, que é seu melhor amigo... E que, apesar de ser superficialmente um cara muito legal, obviamente reprova o relacionamento com o Sr. José Ninguém Lloyd, que não vai para a faculdade, que não tem apoio dos pais, que está confortavelmente esperando a sua "dare to be great" chance.

E ao contrário dos filmes que parecem sempre se encostar no momento do climax em que algo irá ficar entre os dois - seja um amigo, seja uma aposta que foi desfeita (gente, QUANTOS filmes são na base de aposta, assim pensando em dois segundos já consigo pensar em, sei lá, dez? Vinte?), seja o pai ciumento, seja o câncer ou a guerra -, o que acontece entre a Diane e o Lloyd é só... a vida. As incertezas de um relacionamento que se inicia logo antes da faculdade, com duas pessoas tão diferentes, como a Diane pode escolher entre ficar com esse homem (um homem, que deixou de ser um cara) que ela tem medo de amar, sua vida tão perfeita desmoronando ao seu redor, e o destino incrível que está reservado para ela na Inglaterra?



Diane Court: Nobody thinks it will work, do they?
Lloyd Dobler: No. You just described every great success story.

Te desafio a assistir ao filme e não terminar amando também o Lloyd Dobler (aqui tem 7 motivos de porque ele é o melhor namorado do mundo, caso você ainda esteja em dúvida), e desejando ser amiga da Diane. E também, como foi que eu esperei até os meus vinte e três anos para descobrir quem era aquele cara tão legal, de sobretudo e aparelho de som em cima da cabeça?

Icaraizinho de Amontada

Estava olhando essas fotos agora e me bateu uma vontade absurda de sair correndo para a praia, viver naqueles dias de livro na rede e areia no pé (falta pouco, chega logo, férias!)

A semana santa desse ano coincidiu com meu aniversário de namoro, então eu e Marcelo Bernardo quebramos a tradição anual da semana santa na serra de Guaramiranga e debandamos para Icaraizinho de Amontada. E o que era para ser uma data especial virou uma data mais especial ainda, por motivos de OLHA ESSA LUA.

Foto - Ingrid e Ícaro Sampaio
(meus amigos que estavam lá também,
e que tem uma câmera muito mais potente que a minha, hahah)
Ficamos hospedados na pousada Les Alizes, e recomendo muitíssimo. O preço é justo, a localização maravilhosa. Do nosso quarto estávamos a metros - m e t r o s - do mar, e passamos as noites embalados pelo som do oceano. O restaurante da pousada também é muito bom, e o ambiente onde são servidas as refeições é literalmente dentro da praia. Vários momentos eu cheguei a duvidar que estava ali mesmo, hahaha, e que esse negócio que eu estou vendo da minha janela é mesmo a praia?










Já pode voltar?

Sobre dia dos namorados, antigos amores e O Hobbit

Ou Eu e o Orlando Bloom, uma história de amor

Eu não comemoro o dia dos namorados com o Marcelo, porque todas as datas comemorativas ficavam concentradas na primeira metade do ano, e de julho em diante ficávamos mais ricos (bom), mas sem ganhar nenhum presente (ruim) até a volta do Natal. Era dívida atrás de dívida entre aniversários, aniversário de namoro e o fatídico dia dos namorados - data que ele nunca gostou, por se tratar obviamente de um feriado capitalista e sem fundamento, mas que eu sempre defendi com unhas e dentes. Porque tinha passado todos os meus longuíssimos 16 anos sozinha nessa data fatídica, e jamais iria aceitar ter um namorado e ter como programação do dia 12 de junho comer brigadeiro (sozinha), assistir filme de comédia romântica (de preferência, Notting Hill) (sozinha) e ir dormir achando que minha vida não tinha lá muito sentido.

Mas depois de muita discussão, ele finalmente me convenceu a abolir essa data do nosso calendário, e colocá-la confortavelmente no fim de Setembro.

Ontem, no dia dos namorados para todo mundo menos para mim, eu estava no trabalho quando me deparei com o novo trailer do Hobbit. Assisti sentindo aquele friozinho na espinha que a gente só sente quando está chorando de vontade de ver um filme que nunca estréia (ou que você sabe que só estréia em Dezembro, mas mesmo assim sofre, por motivos desconhecidos). E foi aí que, em 0:38, meu coração disparou em palpitações.


Porque lá estava o primeiro meu amor.

Vamos lá, todo mundo aos 13 anos tem namorados fictícios, mas minha relação com o Orlando Bloom durou anos da mais pura devoção, mescladas com o mais sincero dos sofrimentos. Juro que não sei o que foi: estava lendo o Senhor dos Anéis, com meus 11 anos, e me apaixonei pelo personagem do Legolas. Perdia tempos da minha vida me balançando na rede, lendo e imaginando aquela pessoa incrível, um elfo, ora vejam só, e fazendo todo um planejamento de como ele deveria ser. Olhos azuis, cabelos loiros, magro, alto… Lindo. Perdia horas e mais horas imaginando a sua voz e como seriam as suas maçãs do rosto, por exemplo.

Até que um dia estava na casa da minha prima e vimos o trailer da Sociedade do Anel. E lá estava ele. Começamos, como duas boas adolescentes, a fazer pesquisas obsessivas. Lembro de estar na casa dela assistindo os extras (isso foi antes de ver o filme? Como pode? Não lembro direito), e de repente o elfo se desfez diante de mim. E detrás daquela peruca incrível loira, e das lentes azuis, estava um cabelo cacheado moicano. Fazendo bungee-jump. Com tatuagem de sol na barriga. Era, como vocês já sabem, o Orlando Bloom.

- minhas fotos favoritas da época -


Como toda boa adolescente, eu tinha centenas de fotos dele, de todos os ângulos possíveis, separadas por pastas (ex: Coleção de Gravatas, caretinhas - juro). Sabia de cor a sua altura, data de nascimento, nome da mãe, da irmã, onde tinha estudado, o que tinha feito. Lembro de chegar para meu pai e pedir pra ele baixar um cd do Bob Dylan, porque era seu preferido, e eu queria que fosse o meu também. Assisti todos os filmes em que participou, mesmo Falcão Negro em Perigo, onde ele só fazia uma ponta. Quando lançou Piratas do Caribe, eu já estava perdidamente apaixonada, faltei desmaiar quando fui pega de surpresa vendo o trailer no meio do cinema, me arrepiei até o último fio de cabelo quando Will Turner surgiu pela primeira vez. Fiquei acordada de madrugada na tentativa de cadastrar um fotolog (aff), e ainda fiz dois: Will Turner e Miss Turner. Entrei para fã clubes.

Mas ah, se fosse só isso. O problema é que eu era uma adolescente solitária e com uma imaginação além do normal, então fantasiava com ligações de telefone, viagens que ele faria para me encontrar, fazendo feira com ele no mercantil (?), ele me buscando no colégio - todo esse tipo de coisa provável e realista. Nossos 13 anos de diferença de idade não significavam nada, e ele podia muito bem ficar amigo do meu irmão. Escrevia páginas e páginas do meu diário declarações de amor para ele, poesias, e todo esse tipo de coisa que parece doentio, mas que  na época parecia super saudável. Eu recebia convites de aniversários endereçados como Gabriela Bloom. Sim, isso aí. E o dia fatídico, o auge do meu amor, quando estava indo para o colégio e fui surpreendida por um outdoor do filme Tróia, bem na frente do portão de entrada. Tão lindo ele, me fazendo surpresas! Chorei (?) quando foram tirar o outdoor, e pedi tanto que o moço acabou tendo o trabalho de recortar a cabeça dele e me entregar. Fui pra casa com um papelão de uma réplica gigantesca do Orlando Bloom debaixo do braço.

A coisa enfeiou quando ele começou a namorar a minha nêmesis, Kate Bosworth. Chorei por dias seguidos e imaginei todos os tipos de desaforo que iria dizer quando tivesse a oportunidade, e depois daí nossa relação nunca mais foi a mesma. Começaram a surgir paquerinhas reais e o amor que eu sentia, agora doído por ele ter me trocado sem mais nem menos por uma loira qualquer, acabou diminuindo. No dia que meu paquera máximo da época me chamou para ver Cruzada no cinema, hesitei por alguns milésimos de segundo (mas vou ver o Orli! Com outro! Meu Deus!), e soube que tínhamos realmente terminado quando fiquei com o menino em questão e sequer prestei atenção no filme. Quase pude ver os olhos dele me reprovando, saindo da tela. Eu estava curada da minha ridícula obsessão por amor.

Anos se passaram e Orlando e eu nunca mais tivemos contato, mas o carinho se mantém. Amei vê-lo em Elizabethtown, me irritei um pouco com a falta de papeis que ele (não) assumiu nesses últimos anos (preguiçoso! Sempre soube), e quis ficar com raiva da Miranda Kerr, mas não deu. Ela é perfeita. Ficou mais linda ainda grávida, e meu coração se encheu de felicidade ao vê-lo, pai, orgulhoso, rindo à toa. Ele tinha encontrado a sua metade, e tudo bem, porque eu também acabei encontrando a minha.

- morro por essa foto da direita -

E no dia dos namorados, assistindo o trailer do Hobbit (que, a nível de nerdeza, o Legolas sequer é citado. O pai dele, Thranduil, é um ponto importante da história, mas ele não aparece. Sei disso porque, obviamente, li com o coração na mão tentando encontrá-lo nos elfos anônimos que cruzavam a Floresta das Trevas), vivi tudo isso de novo. E sorri ao pensar como adolescente é um bicho surreal.

Mas aí era dia dos namorados, paratodomundomenosparamim, e eu assisti o Espetacular Homem-Aranha (pelo menos tinha um personagem do Notting Hill! Spike, amor verdadeiro, amor eterno!), comi um sushi básico e me refastelei no ombro do Marcelo, sentindo o seu perfume (que coincidentemente tem o meu antigo amor como garoto propaganda) e agradecendo por um dia tão bom.

E depois eu fui malhar, porque hoje era dia.


PS.: reli a Sociedade do Anel e não senti nem um pouco o frisson que a mini Pudding de 11 anos sentiu pelo Legolas. Meu amor verdadeiro literário continua sendo o Fred Weasley, e esse eu nunca superei.

Sorteio de Ilustração! Especial Dia dos Namorados


Primeiro sorteio do blog!

Para participar é só:
1. Curtir a página do blog no Facebook
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3. Deixar um comentário nesse post!

O resultado sai no dia 12/06, aqui no blog e no Facebook também :)
Mais moleza do que isso, é só sentar num pudim, hahaha.

Boa sorte!

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Update 12/06

Muito obrigada a todo mundo que participou!
Agora o resultado...

~~~~ tensão ~~~~





Eeeeee!

Se você não foi sorteado, não fique triste! Você sempre pode encomendar uma ilustração (hahaha), e quem sabe não tenha outro sorteio por aqui, né? Fiquem atentos! :)
E muito obrigada por terem participado <3 p="">

Se meu óculos não fosse meio ridículo



Se não fossem minhas cartas para o meu passado ou o meu futuro, que eu pensei que seria muito mais excitante, não fossem os desenhos de mutante, não seria eu. Se não fosse faltar todas as aulas de educação física, ou se eu tivesse o cabelo mais comprido, se meu óculos não fosse meio ridículo, não seria eu. Se o fato é que eu vivo no mundo da imaginação e eu não quero ser igual (mas não me trate mal, eu não sei o que você tem contra mim). Você pode rir da minha calça curta no meio do shopping mas aí que um dia eu decidi fazer moda e tudo bem se eu fosse assim.

Se não fossem os meus trinta espirros seguidos, e os meus rabiscos e desenhos infinitos em todos os papéis, e não fossem as melhores amizades que do tempo se tornaram infiéis.

Se não fosse o Tatau, sendo a pessoa mais incrível que eu já conheci, se não fosse o Garfield, e os meus diários, e a minha naninha, e o mesmo quarto e os meus tios me paparicando na minha avó, se não fosse a psiquiatria e a psicologia e a biologia e o livro na gaveta e os bufadores de chifre enrugado se não fosse a obsessão pelo passado e a minha certeza que algo de incrível ainda vai acontecer,

não seria eu.


Esse é o meme “Capitão Gancho”, inspirado na música de mesmo nome, da querida da Clarice Falcão. Quem inventou foi a Analu, mas quem me indicou foi a Anna. Eu indico a Deborah (sem vídeo, dessa vez!), a Cacá, a Loren, a Alê e a Tany :)


25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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