Sobre o Amor, sobre o pedido, e sobre o "sim"

2006
Não é freqüente eu falar desse tipo de coisa aqui, mas tem algumas coisas que precisam ser compartilhadas. Tipo quando você encontra o amor da sua vida, coisa que todo mundo já sabe que eu encontrei - mas que, sete anos e meio (!) depois, não deixa de te surpreender.

Porque a gente acha que conhece uma pessoa, e sobretudo, depois de muito tempo, acaba acreditando que muito do que ela é hoje depende diretamente de você. Os gostos, os cds, até mesmo o quarto, o jeito como ele virou o mestre do risoto capitão do arbóreo, quando naquele primeiro jantar, há mil anos atrás, o cardápio foi macarrão grudento. Acho que ele talvez não goste de que eu diga isso, mas ele sabe a namorada meio doente que tem, então passou de ser a pessoa que teve que ir enganado pro cinema assistir Sweeney Todd (achando que era um filme de suspense, hehe), para uma pessoa que sabe cantar o musical dos Miseráveis de cabo a rabo. Pra me acompanhar? Sim, claro. Mas porque ele mudou também.

Só que a gente às vezes também não percebe como, de um jeito ainda mais sutil, e mais especial, a gente mudou também. Porque a gente, que não tem jeito nenhum pra esse tipo de coisa, vira mestra Pokémon e derrota o Red sem save, e ainda captura um Moltres Shinning (oh, yes). Porque a gente demora anos e anos até chegar ao equilíbrio perfeito da alquimia de fazer o capuccino delicioso, cremoso e aveludado, mas com as bolinhas de leite que a outra metade tanto gosta. Porque a gente diz TRIPLEKILLTRIPLEKILL/AMOR TEM UM KABUTO NA COZINHA quando vê uma barata. Porque a gente diz que "I love you/I know" com a mesma vêemencia com que diz "LeFou eu estive pensando! - Cuidado com isso - Eu sei…".

E porque, e especialmente porque, eu imaginava toda uma vida diferente aos 23 anos. Enquanto sempre ouvi as minhas amigas falando do sonho do casamento, do véu e da grinalda, e depois da barriga de grávida, a quantidade ideal dos filhos… Eu ficava pensando em outras tantas coisas. Quer dizer, nunca foi minha prioridade casar, muito menos ter filho. Nunca gostei muito de criança, nem soube o que fazer com elas (ainda não sei), nem sonhei em me ver com o barrigão e nem vestida de branco numa igreja cheia de flores. Muito melhor me ver em Londres, não? Mas bastou vê-lo entretendo crianças, o amor que ele sente e o jeito (e como tem jeito, meu Deus!) de domar todo e qualquer temperamento, e bastou conhecer você melhor, e bastou olhar dentro dos seus olhos naquela primeira vez, que acho que eu soube.

Logo naquele primeiro olhar arrebatador, eu soube.

Vou me casar com você.
Mas o tempo foi passando, e passando, e toda vida que eu achei que você fosse pop the question, não acontecia. Nosso futuro parecia incerto, e a gente sempre pensou muito nas nossas indecisões, nos nossos sonhos, pra onde a vida estava nos levando, essas coisas. Passei um tempo ansiosa com o pedido que não chegava nunca, mas depois deixei pra lá. Esquece. No dia que tiver de ser, será, né?

Só não esperava que fosse na casa de praia, numa noite especial, numa sala toda iluminada a luz de velas, depois de uma playlist genial e cheia de indiretas. Porque no cd eu te dizia que "You ought to give me wedding rings", e você me rebatia com "Não te darei presentes não te darei pois envelhecem e se desbotam". Eu dizia que "if you liked, then you should have put a ring on it", e você me respondia que "Say you don't need no diamond rings, and I'll be satisfied". Mais eis que, do nada, você me fala que "largo tudo se a gente se casar domingo".

E você se ajoelha, e você me pede pra casar comigo, e você me entrega uma caixa. Não com um anel de diamantes, mas com a aliança de bodas da minha avó, com o nome do meu avô gravado. E eu, pela primeira vez em toda a minha vida, fiquei sem palavras, e não te dei o gostinho nem de me ouvir dizer o sim. A gente sempre imagina a cena milhões de vezes na nossa cabeça, mas quando acontece, e quando é real, e quando a voz parece que desapareceu, eu sei que você soube. É claro que eu me caso com você. É claro! Até agora sinto o abraço que você me deu quando eu peguei e coloquei a aliança no dedo, porque nunca me senti tão acolhida, tão segura, tão feliz.


E hoje, dias depois, quando minha voz parece finalmente ter voltado, eu posso dizer que sim, sim, sim, eu aceito! Porque faz sete anos e meio que nossos olhares se cruzaram na sala do colégio, porque fazem sete dias que não consigo sequer pisar no chão de tanta felicidade, porque sinto que fazem milênios que a gente é um do outro. No fim das contas, o que importa é que MB liked it. So, he put a ring on it!

25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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