Retrospectiva Literária 2013

Fim de ano chegou, e com ele um nível de descaso tão grande com esse blog que tenho posts no rascunho, mas não consegui publicar. Oremos por um 2014 com um pouco mais de coragem, haha. Enquanto isso, fiquem com um vídeo necessário (e enorme!), da retrospectiva literária minha e de MB esse ano. Vale lembrar a de 2012 também, e espero que em 2014 ainda consiga ler MAIS LIVROS!




Ah, o post original é da linda da Tary. E aqui em baixo segue a lista de todos que lemos esse ano (em negrito são os favoritos):

Em 2013, Gabriela leu:
Anna e o Beijo Francês - Stephanie Perkins
As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky
Never let me go - Kazuo Ishiguro
Lugar Nenhum - Neil Gaiman
A Vida Secreta das Abelhas - Sue Monk Kidd
A conversa chegou à cozinha - Rita Lobo
Bom Jesus e o Infame Cristo - Phillip Pullman
Orgulho e Preconceito - Jane Austen
A Filha do Fabricante de Fogos de Artifício - Phillip Pullman
M is for Magic - Neil Gaiman
Todo Garoto Tem - Meg Cabot
A Sociedade do Anel - J.R.R. Tolkien
Rita Está Crescendo - Telma Guimarães Castro Andrade
Pedro Médio & Rita Doce - Telma Guimarães Castro Andrade
O diário nem sempre secreto de Pedro - Telma Guimarães Castro Andrade
A Parisiense - Ines de La Fressange
Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman
Meio Intelectual, Meio de Esquerda - Antônio Prata
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
Paper Towns - John Green
Anya's Ghost - Vera Brosgol
Make Good Art - Neil Gaiman
Luna Clara & Apolo Onze - Adriana Falcão
O Livro do Cemitério - Neil Gaiman
Cidade dos Ossos - Cassandra Clare
French Milk - Lucy Knisley
Relish - Lucy Knisley
Coraline - Neil Gaiman
Cidade das Cinzas - Cassandra Clare
Todo Dia - David Levithan
Cicatrizes - David Small
Looking for Alaska - John Green
City of Bones - Cassandra Clare
Cidade dos Anjos Caídos - Cassandra Clare
Fortunetely, the Milk - Neil Gaiman

Em 2013, Marcelo leu:
Tropicália - Sérgio Cohn e  Frederico Coelho
Estorvo - Chico Buarque
Benjamim - Chico Buarque
Mestre Gil de Ham - J. R. R. Tolkien
Hoba-la-lá - Marc Fisher
Coisas Frágeis - Neil Gaiman
Wind in the Willows - Kenneth Grahame
O Mágico de Oz - L. Frank Baum
M is for Magic - Neil Gaiman
Once upon a time in the north - Philip Pullman
The Adventures of Huckleberry Finn - Mark Twain
Lugar Nenhum - Neil Gaiman
Essa tal de bossa nova - Bruna Fonte E Roberto Menescal
Tom Jobim - Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
As Crônicas Marcianas - Ray Bradbury
O Oceano no fim do caminho - Neil Gaiman
Solar da Fossa - Toninho Vaz
A Ciência dos super-heróis - Louis Gresh e Robert Weinberg
O livro do cemitério - Neil Gaiman
The war of the worlds - H. G. Wells
Fundação - Isaac Asimov
A teia de Charlotte - E. B. White
Meio intelectual, meio de esquerda - Antonio Prata
Admirável mundo novo - Aldous Huxley
Fortunately, the milk - Neil Gaiman
Make good art - Neil Gaiman
Odd e os gigantes de gelo - Neil Gaiman
Good Omens - Neil Gaiman e Terry Pratchett
Árvore e folha - J. R. R. Tolkien
Fundação e Império - Isaac Asimov
Essa história está diferente - Ronaldo Bressane (organização)

Resenha: Os Instrumentos Mortais

Cidade dos Ossos, Cidade das Cinzas e Cidade de Vidro - ou um post com vários gifs

Pensei muito antes de vir aqui e escrever essa resenha. Minhas amigas já sabem, porque vira e mexe eu me voltava para elas com comentários assim, meio por cima, da culpa que eu sentia por estar amando tanto esse livro. Esse livro péssimo. Mas tão péssimo que, aff, como é bom.

Eu assisti o filme dos Instrumentos Mortais no cinema, e não sei se foi a cena absolutamente improvável do beijo na estufa no meio da chuva dentro de um prédio (como não amar), ou a presença do Robert Sheehan, que é um poço de carisma e amor. O filme conta a história da Clary, interpretada pela nova queridinha Lily Collins, que um belo dia descobre que tudo que tinha como verdade é uma mentira, e na verdade ela é uma caçadora de sombras. E aí ela conhece o Jace.



Primeiro, é importante dizer que o ator do Jace é, no mínimo, estranho. E o personagem é mimado, é egocêntrico, se acha lindo, é talentoso, e... sente uma atração sem precedentes pela Clary. E o coitado do Simon, Robert Sheehan, fica no canto, porque esse é um filme para adolescentes, e se não tivesse um triângulo amoroso, qual o propósito? Então, depois da cena do beijo na chuva (amo/sou), e depois de uma declaração que fez meu coração se partir em pedacinhos, o filme terminou de uma forma super incoerente e absurda, com a revelação que vai permear todo o resto das vidas de todo mundo. O Jace e a Clary são irmãos. O normal seria eu pensar que a experiência toda foi uma bosta e seguir com a minha vida, e esquecer que um dia vi esse filme. Mas não. Por algum motivo, eu cheguei em casa e pesquisei sobre a história (!)
#simonfofo #mãosfortes #prefereovideogame #nãomeama #ObcecadopelaEx

Acontece que a autora, a Cassandra Clare, era super fã de Harry Potter, e escreveu uma série de fanfics de sucesso, todas puxando para aquele universo em que o Draco e a Gina são a alma gêmea um do outro. E teve uma época muito feliz da minha vida em que eu adorava ler fanfics, então acabei ficando com aquilo na cabeça. Estava no aeroporto, pouco tempo depois, e me vi sem nada para ler, com o primeiro volume da série na minha frente. Um vôo e 200 páginas depois, já estava irremediavelmente viciada na Cidade dos Ossos.

E eu não queria porque o livro é TÃO ERRADO. Eu já tinha visto o filme, e já sabia desde o começo que eles eram irmãos, mas não conseguia me conter.

Sinceramente, o que move a história toda é o romance entre os dois. Eu lembro de ler o primeiro livro de Crepúsculo e ficar com aquela mesma sensação de palpitação, de não conseguir me segurar de amor, de faltar ter um ataque cardíaco quando o Edward Cullen faltou na escola. Mas logo no segundo livro o romance já havia perdido a graça, e até terminar o último foram tantas incoerências e absurdos que já estava odiando tudo aquilo. Essa sensação pré-adolescente de não conseguir lidar com a tensão entre dois personagens acontece o livro inteiro. Inteiro. Prendi a respiração diversas vezes, me sacudi toda de raiva alguns momentos (eu estava no avião), e li e reli e reli centenas de vezes a cena em que eles finalmente se beijam. E meu cérebro insistindo: MAS ELES SÃO IRMÃOS!



FEEEEELLLLSSSSSSSSSSS


Troquei pelo skoob o livro 2 da série, e assim que chegou comecei imediatamente a ler. No segundo livro os personagens começam a ter mais voz na série, não apenas Clace (SIM). E a história segue se construindo, sem furos gritantes, e com a narrativa animada, daquelas que a gente devora. E eu lá torcendo, sem querer torcer, para que os dois ficassem juntos. Passei o livro inteiro na expectativa que eles ficassem juntos (mas eles são irmãos! Isso é errado!), e quando isso finalmente aconteceu, pensei que fosse morrer de alívio e de MEUDEUSISSOESTAERRADO.

Veja bem, eu li a série das Crônicas de Gelo e Fogo, e já estava acostumada com a temática do incesto. Mas enquanto a relação do Cersei e do Jaime deixam aquela sensação ruim na boca do estômago, você acaba se acostumando. Veja bem, não é que eu ache normal. Mas não sentia a menor empatia pelo relacionamento dos dois, se estavam juntos ou separados tanto faz, e aliás que filho nojento que eles colocaram no mundo, etc. Enquanto no romance da Cassandra, cada sentimento da Clary pelo Jace e vice-versa é detalhado e envolvente, e embora você saiba que você não deveria estar fazendo aquilo, você está. Você está torcendo pelos dois. Você quer que o mundo inteiro desapareça, e eles fujam, e vivam com esse segredo bem longe, para o resto da vida, e tenham uma penca de filhinhos errados por aí.

Página sim, página não


Até que [spoiler] começou a ficar claro que eles não eram irmãos. E todas as pessoas que estavam prestes a dizer isso para um dos dois tinha uma morte ridícula e dolorosa. [/spoiler] E posso dizer que passei a maior parte do livro 2 e do livro 3 com uma vontade genuína de jogar o livro pela janela em diversos momentos. Mas a história se manteve, a guerra entre o líder Valentin e o resto dos clãs faz sentido. Aliás, no desenrolar do livro 3, acabamos descobrindo muito mais sobre o passado de Valentin, o que faz com que o personagem seja ainda mais odiável. E não só o Clace (não me canso disso), mas o relacionamento da Clary com a sua mãe, com a figura paterna lobisomem Luke, com as mudanças do melhor amigo, com o desenvolvimento de uma amizade com uma menina que é nada parecido com ela, o descobrir dos poderes... Tudo isso é bem construído, e acima de tudo, envolvente. E faz com que a gente esqueça que está torcendo com todas as forças por um casal que não deveria ficar junto (mesmo).

No fim das contas, fiquei surpresa positivamente com a série. Além de achar super legal a ideia de ter tatuagens que dão poderes (sim!), consegui ver algumas referências de outros livros, tipo Harry Potter, e algumas semelhanças até mesmo com Star Wars - de coisas grandes e óbvias como irmãos que não sabem que são irmãos, filhos do cara mal... Até com pequenos termos, a forma como algumas situações são descritas. E o lobisomem Luke, que não deixa de me lembrar demais o Luke de Gilmore Girls? E isso tudo não faz com que a gente queira bater na Cassandra Clare e gritar PLÁGIOOO, e sim um tipo de reconhecimento através das páginas, como se o livro fosse escrito por uma amiga, sobre universos que vocês duas tanto amam, com aqueles romances que vocês duas morrem de dar risadinhas e de repassar todos os diálogos, centenas de vezes, até cansar. O terceiro livro acabou super amarradinho, com um baile (como não amar?), e eu fiquei curiosa para saber o que é que resta acontecer. [spoiler] Obviamente o Sebastian vai voltar, até porque essas pessoas aprendem com o Martin o incesto, mas não aprendem a base da história das Crônicas de Gelo e Fogo? Se não há corpo, de preferência decapitado, a pessoa não morreu [/spoiler]

Tanto que comprei o livro 4 e o 5 juntos, esse fim de semana.
Viciada, sim ou não?

#teamJace




25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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