O Caso da Estante (20/31)

Uma semana depois de eu ter me mudado para o Rio, eu soube que o Renne havia acabado de passar num concurso e estava vindo para cá também. Quem acompanhou o blog do projeto meu e de MB já deve conhecer o Renne, nossa vela mais presente e duradoura - o jeito que ele mesmo encontrou de se definir quando estava discursando no nosso casamento. Enfim, Renne, melhor amigo, estava se mudando para o Rio, tudo parecia perfeito.

Meses depois de já estar morando aqui, o Renne decidiu alugar um quarto e sala em Copanema, e eu estava pronta para prestar os meus serviços de amiga e personal decoradora, e foi o que fizemos. Uma coisa que vocês precisam saber sobre o Renne é que ele é a pessoa mais indecisa que eu conheço. Eu sei que tem gente que vai dizer, nossa, claro que não, mas o fato é que sim, ele provavelmente é mais indeciso que você. O Renne sempre pede o sorvete com três bolas, mesmo já estando cheio, porque ele não vai conseguir se desfazer de uma (pistache, doce de leite e gorgonzola, certo?). O Renne é o pior tipo de indeciso, porque ele é um indeciso convicto.

Ele decidiu que ia comprar um jogo de pratos de manhã. De tarde ele comprou. No dia seguinte, ele devolveu. Para também não difamar o meu amigo, digamos que algumas outras coisas sofreram do mesmo destino (não direi quantas). Foi por isso que ele comprou uma mesa de jantar redonda e enorme para um apartamento que não cabe nada, e no mesmo dia ele decidiu trocar.

Estávamos eu e MB na casa de Renne quando ele nos chama para ir até a Tok Stok, que era pertinho. Coisa de 3 quarteirões. MB e ele iriam levar a mesa de volta, já que o Renne havia trazido sozinho e tinha sido a maior moleza. Ok, munidos da mesa, fomos até a Tok Stok, caminhada leve, os dois meninos levando a mesa, rindo, cantando. Chegando lá, Renne já estava resoluto que queria a estante X.

A estante X para montar em casa estava 100 reais mais barata. Era um dinheirão, ok. Então MB e Renne pensaram: se trouxemos a mesa, podemos levar a estante, claro. Perguntamos para um vendedor: "olha só, é meio pesada, mas dá pra vocês levarem sim". Ok, então né? Ainda economizamos 100 reais.

Continuamos passeando na Tok Stok, compramos dois jogos de edredon, uma bandeja de café da manhã na cama (lua), e algumas outras coisinhas. Descemos sorrindo e cantando para buscar a estante. Ia dar tudo certo, são só quatro quarteirões.





Só que a caixa da estante era maior que MB, que já é alto, e pesava 40kg. 40. kg. Mas tudo bem, são só três quarteirões, certo? Certo? Então eu fui levando as milhões de compras que a gente resolveu fazer, e os meninos carregando a estante. Tudo parecia lindo.

Só que não eram três quarteirões. E não dava para andar um inteiro sem ter que parar e fazer uma pausa, MB talvez uns bons 30cm mais alto que o Renne (exagero), aquele negócio de mil metros e meia tonelada, andando pelas ruas de Copacabana, atrapalhando o trânsito. Já derrotados, suados e sem blusa depois de ter carregado o peso morto por apenas dois quarteirões, a gente avista o Zona Sul, que é um mercado charmoso daqui. E do lado de fora, um carrinho de entrega de compras, e outro carrinho de supermercado.

Renne entrou correndo, perguntando o que tinha que fazer para pegar aquela bicicleta de entrega (vocês já viram isso? Não sei bem explicar o que é, mas é uma bicicleta com uma grade na frente para entregar?), e a moça disse, muito polidamente, que não poderia, mas o carrinho de compras podia ser levado, caso deixassem a identidade. Renne prontamente entra correndo no supermercado, compra UM iogurte, e pede o carrinho alugado. Não sei como a mulher aprovou isso.

Enquanto isso, eu e MB havíamos dado a volta no quarteirão, para não colocar a estante dentro do carrinho na frente do supermercado e correr o risco de alguém achar ruim (por que eles achariam, certo?). Então ficamos do outro lado, esperando, e Renne chegou com o carrinho, e a vida parecia boa novamente: iríamos deslizando suavemente pelo resto do caminho até em casa, a estante bem encaixadinha em cima do carrinho, tudo certo.

Se a estante coubesse no carrinho, claro.

A única forma de fazer ela caber era na horizontal, em cima do carrinho, cada menino segurando uma ponta e eu empurrando. Juntos, formávamos uma barreira de 2m, ocupando toda a calçada de uma ruazinha de Copacabana, quando muito. Mas a rodinha do carrinho enganchava. Era pesado. Tinham árvores no meio do caminho, e lá pelas tantas, tinha um barzinho com pessoas sentadas em mesinhas na calçada. Não houve dúvida: sentamos também. Tomamos duas cervejas enquanto pensávamos na grande merda dessa vida que havíamos feito. Conferi o google maps. Ainda faltavam cinco quarteirões. Cinco. Cinco. Não eram dois?



Todos passavam pela nossa mesa e riam do arranjo do carrinho com um iogurte, uma estante, dois rapazes suados, e eu carregando duas sacolas enormes cheias de coisas. Um senhor deu uma risadinha e disse:
- E o trabalho que vai ser montar depois, né?

Nem vem, cara, nem vem. Terminamos a cerveja. Continuamos nossa jornada. Tivemos que atravessar ruas com muito movimento. Em alguns momentos, a estante ia caindo e conseguimos segurar. Finalmente, um quarteirão da casa do Renne e literalmente DUAS HORAS DEPOIS, caiu do céu uma alma caridosa que perguntou se a gente não precisava de ajuda. Sim, sim, SIM! Os meninos e o cara levaram a estante lépidos e fagueiros, enquanto eu coloquei as duas sacolas no carrinho e continuei meu caminho. A roda enganchou num buraco. O carrinho virou no meio da rua. Lá se vão os edredons, e a nossa bandeja, no chão, além de um hematoma na minha canela que demorou três semanas para sumir.


Chegamos no prédio. Não cabia no elevador. Respiramos fundo. Não, pera, coube na diagonal. Subimos, eu fui na frente abrir a porta de casa, quando escuto a gargalhada dos dois, tentando tirar a estante do elevador. Sete quarteirões e duas horas depois, eles derrubam a caixa exatamente na porta de casa. Colocamos a estante na sala, refletindo sobre esse plano magnífico que tivemos, mas não por muito tempo: tinha que devolver o carrinho do supermercado no mesmo dia, e ele fechava em 10 minutos. Eles voltaram correndo, e eu fiquei observando aquela caixa de papelão encostada na parede, refletindo sobre o universo e tudo mais.

E ai do Renne se ele decide trocar essa estante por outra coisa.

  1. Amiga, quando vi que você tinha postado sobre isso corri pra ler, porque me matei de rir com o causo quando ele foi postado no snap e decidi que precisaria viver esse momento de novo. HAHAHA, essa saga foi muito maravilhosa. Quando eu e Chicória formos mobiliar o apê lilás (HAHAHA) já sabemos a quem recorrer para carregar os móveis hihihi.

    Te amo! <3

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  2. HAHAHAHAHHAHAHAHA
    Sei que não é pra rir, mas estou rindo muito. Que SAGA! Como três quarteirões viram sete, gente? Coitados.

    Ao menos rendeu uma boa história. hehehe

    Beijos. :*

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  3. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
    vi o vídeo de novo e estou gritando de rir, mas a parte mais engraçada é esse "puta que pariu" na legenda no snap hahahahahahaha MOMENTOS
    beijos!

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  4. MIGA APENAS MORRENDO, melhor história de mudança e compra de móveis que já vi, daria tudo pra ser uma das pessoas do bar que presenciou esse arranjo.

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  5. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
    AMIGA, ESSA HISTÓRIA. AI COMO EU AMO. Já estava rindo antes mesmo de vir aqui, só de lembrar dessa aventura documentada no snapchat, que pode apagar pra todo o sempre que jamais me esquecerei. Daí vim aqui e comecei a ler e tô morrendo? M O R R E N D O? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA SOCORRO HAHAHAAHAHAHA

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  6. putamerda HAHAHAHAHAHAHAAHHAHAHA ai dele resolver trocar mesmo ein

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  7. Amiga, MELIÓR HISTÓRIA do snap EVER. Eu quase morri de rir de vocês, dsclp, mas que CILADA. <3
    As melhores ciladas são essas que rendem um post depois.

    Te amo! <3

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  8. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH MORTA. Às vezes a gente faz umas escolhas na vida que só reforçam que na real só fazemos péssimas escolhas na vida. Eu imagino o desespero de vocês.
    No final das contas, deu tudo certo com a estante ou o Renne quis trocar? Hahahahahah.

    Beijos!

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  9. Como vocês conseguiram o milagre da multiplicação de quarteirões? HAHAHAHAHAHA
    Que loucura isso! Mas entendo seus amigos porque aqui em casa eu e minha mãe fazemos o mesmo. Tipo, um armário? Tranquilo! Duas mulheres conseguem levar ele para o andar de baixo/de cima, não precisa chamar ninguém. Sem problemas se no meio do caminho ele desmonta, a gente morre e precisamos jogar ele fora depois... Tranquilo!
    Deixei para ver o vídeo no final e morri de rir! HAHAHAHAHHA
    Acho que esses 100 reais não foram tão bem economizados XD
    bjuxxxxxxxx

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25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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