Os vinte e cinco (04/31)

autorretrato


Dia desses eu completei 25 anos. Lembrando do post dos 24, cheguei a conclusão tardia e oficial que é: eu odeio fazer aniversário. Mesmo em outro estado, mesmo com amigas presentes e abraçáveis, concluí que tudo que eu mais queria era que chegasse logo o dia 12 de fevereiro, e com isso, terminasse essa tortura. Que os 26 fiquem logo sabendo disso.

Mas sabe aquela fase em que você faz aniversário, e te perguntam a tua idade, e você fica meio reticente na hora de responder, até lembrar que, espera, eu já tenho tantos anos? Não aconteceu. Acho que ter 25 anos é tão definitivo na vida de uma pessoa que não tem como esquecer e jurar que ainda tem 24. Ter 25 é um baque, dói, e deixa marcado que olha só, senta aqui, deixa eu te contar uma coisa: você não tem mais vinte e poucos anos.

Eu virei uma adulta. Eu declaro imposto de renda. Eu faço transações bancárias. Eu já posso começar a usar creme para as rugas. Não vamos falar dos cabelos brancos.

Achei que ninguém teria percebido esse meu amadurecimento repentino e involuntário, até que essa semana eu estava distraída lavando a louça, quando percebi que tinha seguido a ordem errada da lavagem (obviamente tem uma ordem). Tem que lavar primeiro os copos, o que eu estou fazendo com esses talheres na mão, pera um minuto, eu já lavei os copos? Quando foi que lavar a louça se tornou uma coisa tão involuntária, rápida e prática, que já nem me dói a perspectiva de ter que, depois de um jantar, ter que encarar aquela pilha de louça? Foi quando percebi que amadureci, senhoras e senhores. Marcelo Bernardo me olhou com olhinhos brilhantes e disse que nunca imaginou me ver assim, tão adulta.

Porque não é que eu nunca tenha lavado louça na minha vida. Eu lavava. Eventualmente (não quero parecer mimada) (mas era). Mas era sempre um processo lento, desses que ia demorar uma tarde inteira, minha mãe ficava impaciente, dizia que eu tava lavando na ordem errada (ela que impôs a ordem, importante ressaltar, bem virginiana), e tomava logo aquilo da minha mão e me mandava fazer outra coisa. Até que, com 25 anos, estou lavando a louça na ordem tão naturalmente quanto, sei lá, fazer um coque no cabelo. Ou arrumar a cama. Que eu também achava um despropósito.

Talvez amadurecer seja parar de achar tudo um saco, seja começar a suportar essas atividades da rotina até que elas se misturem no seu dia a dia, como ir ao banheiro, ou prender o cabelo, não sei. Amadurecer seja comer primeiro os morangos que estão com jeito que vão estragar, para o seu amor comer os morangos mais nobres, só que ele também escolhe os que vão estragar, e quando dá conta, você só comeu morangos estragando, porque os nobres eventualmente também estragam. Será que isso foi uma grande metáfora da vida? Não sei, amadureci, mas ainda sou péssima com metáforas.

Tenho 25 anos. Não fiz uma lista esse ano de tudo que quero conseguir até os 26, porque pela primeira vez, não tenho a menor ideia, e pela primeira vez, estou me permitindo que a vida me mostre. 25 anos se preocupando com tudo, para deixar que os 26 sejam mais leves. Não sei onde vou estar, o que estarei fazendo. Mas sei que estarei cercada de amigas e amores (sempre perto, porque estar perto não é físico), comendo cookies, aprendendo a ser esposa de alguém. Será que podia ser melhor?

Se bem que eu acho que deveria andar mais de bicicleta. Quem sabe?
  1. eu tbm to com 25 e honestamente isso não me deixa nada feliz. Não é nem que tenha mudado nada muito radical na vida, mas você vai se sentindo diferente. Uma dessas coisas automáticas que me assusta é dirigir. Ontem eu tava tirando minha carta e de repente estou dirigindo há sete anos. Como isso foi acontecer, gente?

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  2. Ai, amiga, dá cá um abraço. Esses dias me dei conta de que estava CANTANDO enquanto arrumava a cama e woooow, quando foi isso? O amadurecimento enfim chega para todas nós, né? Eu só espero que nos teus 25 anos a gente se abrace muito mais (porque eu vou morar no rio ja ja) e que a tua vida continue te trazendo boas surpresas, mesmo que seja um "oloco, to adulta!"
    Te amo!

    Ps: também tenho uma ordem para lavar a louça - copos, talheres, pratos e panelas. Tem um fundamento, talvez eu escreva sobre isso.

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  3. Amiga, é assustadora a perspectiva de que estamos, cada vez mais, crescendo e amadurecendo. É bizarramente assustadora. Mas eu gosto de pensar que faz parte da vida e, querendo ou não, a gente foi preparada pra isso de uma forma ou de outra. Tanto que, às vezes, parece automático, né? Apesar de assustar.

    "(...) Talvez amadurecer seja parar de achar tudo um saco, seja começar a suportar essas atividades da rotina até que elas se misturem no seu dia a dia, como ir ao banheiro, ou prender o cabelo, não sei. Amadurecer seja comer primeiro os morangos que estão com jeito que vão estragar, para o seu amor comer os morangos mais nobres, só que ele também escolhe os que vão estragar, e quando dá conta, você só comeu morangos estragando, porque os nobres eventualmente também estragam. Será que isso foi uma grande metáfora da vida? Não sei, amadureci, mas ainda sou péssima com metáforas." <3 muito amor aqui <3

    Beijo!

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  4. Seguindo essa lógica acho que amadureci também! hhahaha
    Sigo uma ordem pra lavar louça também: copo - talher - prato - panela - fogão.
    Ando achando natural até tirar a manhã de domingo para passar roupas.

    Que seus vinte e seis sejam leves, repleto de novas aventuras e descobertas e sim, passeios de bicicleta, porque não? Ainda mais aí no Rio. ♥

    Beijos.

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  5. Amiga, que post lindo e assustador ao mesmo tempo? Minha barriga gelou aqui frente à possibilidade de já poder usar creme anti-rugas e de não ter mais vinte e poucos. Ando apavorada com essa passagem do tempo, queria ter 20 e poucos para sempre!
    Mas sabe que essa ideia de não se irritar tanto pra lavar a louça me parece bem acolhedora? Preciso demais.
    E: rodeada de amigas, sempre, até os 100, fazendo excursão na Croácia.
    Te amo!

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  6. Amiga, não sei nem o que comentar direito porque achei esse post tão bonito e honesto, mas ao mesmo tempo tão assustador, como Analu falou. Ter 20 e poucos já me apavora tanto que sinceramente não sei como vão ser os 20 e tantos, mas ao mesmo tempo me dá certa tranquilidade perceber que essa transição talvez seja natural e que a gente se desespera tanto por (quase) nada.
    Sobre cabelos brancos, apenas me abrace porque eu ainda estou nos 20 e poucos e tenho um monte.

    te amo <3

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  7. A gente leva uns sustos às vezes, né? Acho que desde que eu fiz 19 todo aniversário é um susto. Quando era mais nova, sempre imaginava minha vida quando eu fosse mais velha, mas era um mais velha que ia até os 18. Na minha cabeça, depois disso eu seria adulta (?) e aí, sei lá, minha vida seria tipo a da minha mãe. Casar com 22, ter filho com 24. Eu não gastei muito tempo pensando nas infinitas possibilidades que os 18 em diante poderiam me oferecer.

    Essa metáfora da louça é muito boa pro amadurecimento. Me sinto meio assim quando minha mãe viaja, eu fico sozinha em casa e me vejo fazendo as ~atividades domésticas~ não por obrigação, mas porque me sinto mal com a casa suja e bagunçada. Bem louco isso, né? Mas se posso dar um pitaco, acho que seus 25 foram muito bem vividos até agora (você saiu de casa! você casou! você escolheu largar uma segurança que não tinha feliz pra pular num abismo desconhecido ~em busca de uma vida melhor~! você deixa os morangos mais bonitos! você conheceu a gente heheheh!), e eu tenho o maior orgulho de conhecer e fazer parte de um pouco dessa história <3
    te amo!

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  8. Que lindo, amiga. Ainda não tenho 25, mas sinto que muita coisa já aconteceu nesses meses desde que eu me mudei, inclusive o fato de que lavar a louça e arrumar a cama viraram coisas super triviais que eu posso não amar, mas não me importo mais nem um pouco de fazer. Afinal, "alguém" (leia-se eu) vai ter que fazer mais cedo ou mais tarde.

    Adorei o texto. Volta e meia eu paro para pensar na vida e tenho essa mesma revelação, e é sempre chocante. Ainda bem que não é só comigo. Engraçado como a gente cresce.

    Te amo <3

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  9. coincidências ou não, eu com meus 25, me dando conta _depois de ler esse teu post_ que agora eu lavo louça com o mesmo prazer em que arrumo a cama ou faço qualquer outra coisa que anos atrás eu detestava e sempre fazia de conta que esquecia. céus, nos tornamos todas adultas e ninguém nos avisou?

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  10. Eu acho que vou entrar num abismo existencial com os vinte cinco que só vai ser pior quando eu fizer trinta. Quando fiz vinte tudo pesou de uma maneira que nem sei explicar.
    No geral, eu sempre arrumei minha cama. Sei que existem aquelas pessoas que acham que "se eu vou dormir de novo, pra que arrumar?", mas poxa, eu vou tomar banho todos os dias porque caso contrário vou ficar suja.
    E eu seeeempre lavo os copos primeiros. Eu lavo os copos. os pratos, os talheres e depois as panelas e potes. Se tá certo, não sei, mas os copos são sempre os primeiros.

    Beijos!

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  11. Com imposto de renda nem se preocupe. Tem gente que chega nos 40 e nem tem salário que garanta uma declaração kkkkk

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25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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Esse blog está vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque ninguém há de copiar esses textos e ilustrações sem dar o devido crédito.