Rapidão

Queria vir aqui e falar uma coisa rapidinho.



Dia desses, eu estava saindo do metrô, quando tropecei e caí. Mas não caí pouco não, caí muito, caí mesmo, dei uma leve voada antes de cair, o óculos foi para um lado, a bolsa para o outro, e passei aqueles longos segundos eternos no chão antes de umas 5 pessoas pararem para me erguer. Me sentaram no chão. Achei que tinha quebrado o braço e rasgado a minha única calça jeans inteira no joelho - felizmente, nem um, nem outro. Mas enquanto estava parada ali, chorando de dor no braço, e pensando na vida, vi uma perspectiva incrível. Caí no chão, lasquei meu joelho, esmaguei meu braço, ralei minha mão. Mas pelo menos não torci o pé, e já me senti muito melhor por causa disso.

A vida, né? A gente aprende a ver o lado bom das coisas.

Contei para as pessoas, e todo mundo deu risada, porque não se costuma cair com facilidade depois de adulto. Esse ano caí no box, escorregão pesado, daqueles das pernas ficarem no ar, e você cair de costas em câmera lenta e achar, com certeza, que você morreu. E esse dia aí na rua, no metrô de Botafogo. A minha pressão não baixou e não tinha um buraco enorme: eu simplesmente estava andando, e no segundo seguinte, não estava mais. Não tem explicação.

Mas sempre que caio (o que acontece com alarmante frequência), passo uns meses andando olhando obsessivamente para o chão, com o intuito de não cair novamente. Sempre ando olhando para o chão, mas depois de pequenos desastres, não consigo olhar para outro lugar além dos meus pés e onde eles estão pisando. E eis que, desde o dia que caí para cá, já encontrei 110 reais perdidos no chão. Um dia 100, no outro 10. Bolos de dinheiro no chão, onde os que nunca caem nunca se preocupam em olhar.

E então? Se isso não é uma grande metáfora da vida, eu não sei o que é.


  1. Cara, o texto por si só já está incrível. Com dinheiro achado, então, melhor ainda!
    Umas noites atrás mesmo eu quase fui de cara na calçada. Tava andando bem de boa, e as calçadas de São Paulo são pura adrenalina, do nada tinha uma parte do concreto que estava levantada e eu fui direto, com a maior certeza. Fui lançada pra frente, tudo menos o pé que chutou o concreto. Não cheguei a cair e evitei de quebrar a cara no chão, mas fui o resto da calçada pulando num pé só e depois, lógico, andando como se nada tivesse acontecido. Infelizmente não achei nenhum centavinho durante essa aventura.

    Sentimentaligrafia

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  2. longos e eternos segundos, não é mesmo? mas que bom que o pézin tá bem. já não basta ter de catar toda a nossa dignidade nesses horas HAHAHAH

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  3. Uma vez caí de quatro numa balada e um boy ainda saiu correndo até a porta pra rir da minha cara. Passei um bom tempo juntando os caquinhos da minha dignidade. <3 Ainda bem que não se machucasse. E vou levar pra mim essas últimas frases do texto porque a semana não foi fácil. hahaha Beijo e ótima semana pra ti!

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  4. Eu sempre olho pro chão pelo mesmo motivo.
    Porém, não encontro nada do chão além de anéis de latinha de refrigerante. Tá errado isso!

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25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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