Favoritos de Outubro

Tentei fazer esse post dia 31, mas falhei, falhei e falhei miseravelmente. Entretanto, dia 9 de novembro estamos aqui. Vou tentar, juro, ser concisa: vi esse tipo de postagem no blog da Frannerd, e amei. Sempre adoro ler resumos da vida das pessoas, e acho que é uma ótima oportunidade de fazer um desenho pelo menos uma vez por mês, então vou tentar.



1. The Dream Thieves - Maggie Stiefvater
Terminei de ler o segundo livro do Raven Cycle, e estou literalmente poupando. Esse ano está uma grande bosta para leituras, não consegui ler nada de janeiro a junho, e não melhorou muito depois que o casamento passou: mas estou chorando amando sofrendo por Raven Cycle, sentindo todas as emoções maravilhosas de ler uma saga do zero, e por aí vai. 

2. Brownie de microondas na cumbuca favorita
Usei essa receita aqui, e ficou bom demais (só troquei a margarina por 2 colheres de manteiga). Melhor colocar menos tempo e ir olhando, porque quanto mais molhadinho, melhor.

3. Penny Dreadful
Vi a Deborah falando dessa série no facebook, e depois de muita frustração, resolvemos assistir um episódio e dar uma chance. Terminamos a primeira temporada e eu estou gostando?!?! A atuação é maravilhosa, o enredo tem suspense no ponto, e sou eternamente fascinada pela estética da era vitoriana. Fora que o Josh Hartnett ficou um cara lindo com olhos de filhote, e o Sir Malcolm é um velho que dá um senhor caldo.

4. Exposição do Castelo Ra Tim Bum
Fizemos um date num dia de semana para ir ver a exposição, e foi uma experiência super incrível! Adorei principalmente o trabalho de figurino, a construção dos personagens... Amei.

5. Flatform da Melissa e Rosadili da Quem Disse Berenice
Comprei essa Melissa num impulso (depois de meses namorando, mas num impulso), e estou tentando me convencer que ela não é horrorosa. Usei para sair e me senti muito Garota Das Moda, mas ao mesmo tempo estava me sentindo uma fraude, hahah. E o batom líquido da Berê é maravilhoso, recomendo.

6. Show de Bossa Nova no Arpoador
Uma das centenas de comemorações do Rio 450 foi um show de Bossa Nova de graça no parque, e fiquei emocionada de ver ao vivo os Cariocas e o Quarteto em Cy, e uma orquestra! Foi uma noite ótima, a Baby do Brasil também se apresentou (completamente doida), e ainda fiz amizade com um cachorro.

7. Cerveja Goose Island - Honkers Ale + pão com pasta
Estamos ficando experts em cerveja (hahah), e depois de um chopp desastroso de IPA, eu decidi que não iria beber nenhuma cerveja que o IBU (índice de amargor) fosse alto. Entretanto, essa tinha o rótulo muito lindo (#prioridades), e acabamos comprando para provar: ela é super equilibrada, instigante, frutada, e o amargor compensa! Ou seja, o problema não é o IBU, e sim a combinação que fazem. E o rótulo é maravilhoso, né, pfvr.

Aqui no Rio chamam patê de pasta (na cidade de vocês também?), e esse jantar tem sido a nossa escolha favorita, porque é barato e gostoso. As pastas da Le Dépanneur, em Botafogo, são todas maravilhosas, especialmente a de gorgonzola e o Húmus.

Por menos "pfvr pfts"

Esses dias saiu a ~ bomba ~ da menina blogueira super bem sucedida que decidiu largar toda essa vida fake, e que nossas redes sociais são vazias. Essa discussão teve muitos e muitos desdobramentos, sobre como pregamos uma vida que na verdade não é a nossa, sobre como vivemos na era da edição. No dia que essa matéria estourou, eu e minhas amigas debatemos longamente sobre isso, falando especialmente das meninas novinhas que podem vir a acreditar que a vida é isso mesmo.

No texto da Anna, que foi um dos meus favoritos (claro), ela fala sobre a proximidade das blogueiras com a nossa vida. Crescemos tendo ícones atrizes de hollywood e do Disney Channel, e que por mais que fossemos ingênuas, sabíamos que por trás daquelas mulheres tinham uma equipe. As blogueiras, de uns tempos para cá, também: mas o que incomodou sempre é esse ar de naturalidade, esse meio "I woke up like this", quando elas também não saem de casa sem uma equipe de maquiadores por trás. Mas aí chegam não só as blogueiras, mas os nossos amigos do facebook e do instagram: basta uma olhada rápida para encontrar aquele conhecido seu da faculdade que está morando fora, aquela menina que está viajando o mundo, e outra que casou recentemente numa festa maravilhosa.

Mas vamos voltar um pouco:

No começo do ano, quando eu estava muito mal por não ter arranjado emprego ainda (não é que eu tenha arranjado, mas passei a viver melhor com isso), meu irmão compartilhou um texto comigo, na sua forma de dizer calma, pequena padawan, estamos todos juntos nessa. Meu irmão é adulto, casado, empregado, com filho, e disse que também se sentia assim regularmente.

Crescemos acreditando que somos especiais, que merecemos o mundo, e que é só uma questão de tempo até que todo o nosso talento seja descoberto, e finalmente tenhamos um emprego maravilhoso em que vamos trabalhar pouco e ganhar muito, e assim ser felizes o resto das nossas vidas. Claro que isso é uma visão simplória da vida real, e que mais cedo ou mais tarde (mais cedo, por favor) iremos perceber que isso tudo é uma cilada. Só que é nessas horas que entram as redes sociais: você olha para a vida dos seus amigos e acredita, de verdade, que eles estão no topo do mundo, e que você, coitado de você, é um bosta. Todos fazemos isso, e é o eterno olhar para a grama do vizinho.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível a todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expõem mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Na conversa com as minhas amigas, comentamos sobre o fato de, obviamente, só postarmos as fotos de quanto estamos juntas e nos divertindo: viajamos o Brasil, fomos para baladas, nos abraçamos, casamos, rolamos na praia, brindamos com caipirinhas. As pessoas olham essas fotos seguidas de encontrões, e ficam na sensação que somos profundamente felizes: ok, nesses momentos somos mesmo, mas as parcelas de passagem no cartão de crédito cagando o nosso limite, o esporro que você levou do seu chefe por ter imprensado um feriado, a dor da despedida, os choros inconsoláveis nos aviões... Nada disso a gente mostra, claro. Porque editamos as nossas vidas e mostramos apenas o que nos convém, e ao mesmo tempo, esquecemos de pensar que acontece a mesma exata coisa com os outros.

Me preocupa essa grande influencia que as blogueiras tem, porque olha só, eu que nem sou blogueira, recebo comentários de meninas acreditando (mesmo) que minha vida é perfeita.

Vez ou outra eu recebo um comentário dizendo que, depois que a pessoa conheceu eu e Marcelo Bernardo, passou a acreditar mais no amor. Não foi uma, ou duas vezes. Foram várias mesmo.



Mas não somos perfeitos, e nenhum casal é. Nunca demos a entender que somos. As brigas de verdade, os defeitos, tudo isso fica dentro da nossa intimidade, aparentando apenas o que escolhemos mostrar. Anos atrás, resolvemos fazer um projeto em que iríamos expor o nosso cotidiano em primeiros encontros. Tivemos uma briga por causa de uma pizza, sim, mas tivemos outros momentos em que decidimos não mostrar por lá. E não falo apenas dos momentos ruins: não vou ficar citando em blogs os momentos que transamos, por exemplo. Eu só falo do que quero falar. E ele também.

Falei no projeto sobre a diferença do Professor Marcelo Bernardo e do cara com quem eu me casei: eles não são a mesma pessoa. A Gabriela que tem blog não vai admitir que é bagunceira crônica (só em casa, no trabalho já ganhei estrelinha por organização - esse comentário foi só para a minha mãe, que trabalha com RH, não me ligar agora mandando eu tirar), e o Marcelo professor não vai admitir outras diversas coisas. E o mais importante: não vamos compartilhar alguns momentos felizes também, porque eles são só nossos.

No texto da Debbie, do Pequenos Monstros, ela fala sobre ninguém registrar os momentos do cotidiano, e que provavelmente não terão fotos suas pequena fazendo o dever de casa. E eu, cada vez mais, aprendi a apreciar esses momentos do cotidiano, desse começo de vida de casado, em que a vida nunca foi tão terrível, mas tão maravilhosa. Fazer almoço junto, batalhar grana junto, segurar as barras juntos: e não, nunca, ser perfeitos.

Marcelo falou em seus votos (que não, não vou compartilhar aqui) que amar não era acreditar que a pessoa era perfeita. E sim, conhecer todos os defeitos, e mesmo assim decidir que quer ficar com essa pessoa o resto da vida.

Tivemos que abrir mão de muitas, muitas, muuuuitas coisas por termos nos conhecido tão novos e continuado juntos desde então; tivemos que abrir mão de muitas coisas para morar no Rio, e passamos por muitos momentos terríveis. Os momentos maravilhosos, claro, fazem toda a diferença na balança da vida. E se não colocamos fotos juntos no Instagram nos últimos dias, pode ser sim que tenhamos brigado, mas também pode ser que a gente esteja ocupado assistindo Netflix por uma semana seguida, e não faria o menor sentido tirar foto disso.

Fico feliz das pessoas acreditarem mais um pouco no amor por ver a gente junto, apesar de todos os pesares. Não vou me unir ao coro que passou a demonizar as redes sociais, e nem vou rir de quem realmente acredita que aquilo é uma cópia fiel da realidade. Mas gosto de pensar que todos nós podemos sim refletir sobre como estamos nos expondo: meu instagram é aberto para quem quiser ver o que eu quis mostrar. Pode ser que seja o que eu ando fazendo. Mas, ultimamente, os melhores momentos eu tenho guardado só para mim, mesmo.

Porque na real, foto nenhuma ou vídeo nenhum consegue capturar o que você sentiu quando estava fazendo uma escultura de buquê de bunda na praia, ou dançando na cozinha enquanto a água do macarrão fervia, ou quando você soltou aquela piada espontânea que te fez gargalhar com o seu marido por longos momentos. Que tal a gente se ater a isso e continuar vivendo? Deixa as blogueiras fazendo jabá, se elas quiserem.

E é sempre bom lembrar: está todo mundo mal.

Tiramos a foto posada, fazendo cara bonita, mas aí do nada começamos a rir de verdade.
Tirei umas 7 fotos para escolher uma.
O celular dele caiu no chão e quebrou uma semana depois, e tivemos que comprar um barato parcelado porque não temos grana.
Tava faltando pão esse dia, ficamos angustiados tentando pensar no que jantar.
Voltamos a comer miojo porque é muito barato.
Esqueci de descongelar o frango.


25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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Esse blog está vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque ninguém há de copiar esses textos e ilustrações sem dar o devido crédito.