Assisti "Star Wars: o Despertar da Força", e preciso vir aqui contar

(Sem spoilers, e com muitos gifs do Han Solo, porque sim)



Eu sou fã de Star Wars. Não cresci assistindo, e o primeiro que vi foi em 2002, em umas férias aqui no Rio, onde fui apresentada ao Episódio II, e passei o restante do mês de trancinha padawan. Na época, eu gostei do filme, mas nem me preocupei em saber mais sobre, e nem assisti a continuação. Foi depois de muitos anos que MB e eu decidimos assistir a saga completa: e então, já grande, fui fisgada e apaixonada por essa galáxia far-far away.

Parte disso se deve à minha predisposição a amar sagas de ficção, e embora a única história com naves que eu tivesse visto até então fosse Cowboy Bebop (e amado!), o enredo me cativou. Amei intensamente todos os personagens da primeira trilogia. Mas a outra grande parte de eu ter continuado assistindo e amando se deve, obviamente, ao Han Solo. (abri esse link ontem e até agora não consigo parar de ver)

You've got that face that just says "baby, I was made to break your heart"

Então, sim, fui apresentada à saga pelo meu namorado, mas o meu hábito obsessivo de me entregar a todas as séries que amo (ler tudo sobre, pesquisar teorias, fazer quizzes, comprar 15 camisetas) fez com que eu, sozinha, consolidasse o amor. Eu amo Star Wars. Eu me arrepio e choro ouvindo a música, virei fãnzona mesmo, dei aquela choradinha marota quando soube que iria ter continuação (com o Han! Velho!) e decidi até ir de cosplay para a estreia. Não fui, mas pelo menos fui com o cabelinho da Leia.

Mas o que me deixava mais excitada era a incrível perspectiva de ver algo novo: Harry Potter tem os livros, assim como Game of Thrones. Dessa vez, absolutamente ninguém sabia o que aconteceria, e tudo que começasse a partir da saudosa tela com as letrinhas se afastando era novo. Toda vida que pensava nisso me arrepiava, e quando a música começou a tocar, já estava chorando, hahah.

Já havia gostado, desde o princípio, dos protagonistas serem um negro e uma mulher – embora ache que a Leia já tenha feito muito bem o papel de princesa que não precisa ser salva, esse é o tipo de coisa que é sempre bom ser reforçado. A diferença agora é que a Rey é o centro da história, mais uma garota-que-não-precisa-ser-salva, mas ao contrário da Leia, uma menina que não tem ideia do que fazer, mas que tem uma índole boa, e procura fazer o que acha certo (estamos todas juntas, miga). Aqui tem um texto ótimo falando mais sobre ela. A química entre a Rey e o Finn é maravilhosa, o personagem do Finn é engraçado na medida, e enfim, já shippo horrores.

Aliás, toda a atuação é maravilhosa: Adam Driver como Kylo Ren está incrível. Ouvi vários comentários sobre como ele parece um bobão sem capacete, mas achei tudo isso intriga. Ele tem um je ne sais quoi que combina super bem com as aflições do personagem, uma profundidade que acho que cabe perfeitamente nele. Se fosse um cara simplesmente gato, acho que a reação de todo mundo seria bem diferente.

Os droids estão incríveis como sempre, e já entrei no cinema amando BB-8, pois BEEBEE. Assim como o R2 era maravilhoso, beebee é cheio de personalidade, e fez o cinema inteiro gargalhar e dizer "ooownn" sempre que ele estava magoado.

Informo à todos que Han Solo continua fazendo meu útero urrar.


Mas, o filme. Ele tem todos os elementos para deixar os fãs felizes, e para cativar quem está indo assistir a série pela primeira vez. Acho válido e maravilhoso um filme ter várias referências (12 parsecs, nunca confundam) e detalhes que pertenciam aos originais - mas não quando o roteiro se apoia completamente nos filmes antigos. Me diverti horrores? Sim. Chorei? As duas vezes que assisti. Queria ver de novo? Lógico. Mas não fiquei com a sensação de estar vendo algo novo e inédito, e sim uma releitura da série que tanto amo. Vi uma crítica que falava que o filme era como assistir a um show dos Rolling Stones: maravilhoso, eles cantam os grandes hits que você pagou para ouvir, e inesquecível, claro. Só que fui ao cinema esperando um cd novo dos Stones, e não um Greatest Hits.

Acho que o filme deixou tudo bem construído para uma sequencia maravilhosa, e estou tendo úlceras ao pensar que só vou descobrir o que vai acontecer em 2017. Espero que seja inédito, espero que seja maravilhoso, e espero ganhar todos os funkos que lançarem. E espero que Harrison Ford continue sendo esse presente de Deus.

That's not a skirt girl smile
That's a sawn off shotgun
And I can only hope
You've got it aimed at me
PS.: Se quiserem discutir o filme comigo, com spoilers, podem me chamar!


Rapidão

Queria vir aqui e falar uma coisa rapidinho.



Dia desses, eu estava saindo do metrô, quando tropecei e caí. Mas não caí pouco não, caí muito, caí mesmo, dei uma leve voada antes de cair, o óculos foi para um lado, a bolsa para o outro, e passei aqueles longos segundos eternos no chão antes de umas 5 pessoas pararem para me erguer. Me sentaram no chão. Achei que tinha quebrado o braço e rasgado a minha única calça jeans inteira no joelho - felizmente, nem um, nem outro. Mas enquanto estava parada ali, chorando de dor no braço, e pensando na vida, vi uma perspectiva incrível. Caí no chão, lasquei meu joelho, esmaguei meu braço, ralei minha mão. Mas pelo menos não torci o pé, e já me senti muito melhor por causa disso.

A vida, né? A gente aprende a ver o lado bom das coisas.

Contei para as pessoas, e todo mundo deu risada, porque não se costuma cair com facilidade depois de adulto. Esse ano caí no box, escorregão pesado, daqueles das pernas ficarem no ar, e você cair de costas em câmera lenta e achar, com certeza, que você morreu. E esse dia aí na rua, no metrô de Botafogo. A minha pressão não baixou e não tinha um buraco enorme: eu simplesmente estava andando, e no segundo seguinte, não estava mais. Não tem explicação.

Mas sempre que caio (o que acontece com alarmante frequência), passo uns meses andando olhando obsessivamente para o chão, com o intuito de não cair novamente. Sempre ando olhando para o chão, mas depois de pequenos desastres, não consigo olhar para outro lugar além dos meus pés e onde eles estão pisando. E eis que, desde o dia que caí para cá, já encontrei 110 reais perdidos no chão. Um dia 100, no outro 10. Bolos de dinheiro no chão, onde os que nunca caem nunca se preocupam em olhar.

E então? Se isso não é uma grande metáfora da vida, eu não sei o que é.



25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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Esse blog está vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque ninguém há de copiar esses textos e ilustrações sem dar o devido crédito.